Novo capítulo, velhos problemas
A aparente calma observada pela reportagem da FOLHA nas unidades básicas de saúde em Londrina anteontem contrasta com a tormenta que movimenta a área na cidade nas últimas semanas. As investigações sobre suspeitas de pagamento de propina na contratação dos institutos Atlânt6ico e Gálatas seguem na Justiça, enquanto na Prefeitura a sindicância que iria apurar irregularidades na Secretaria de Saúde com relação aos contratos fica apenas na promessa.
Na memória de muita gente ainda está viva o caos que se instalou na cidade há alguns meses no atendimento público de saúde, principalmente naquelas pessoas que sofreram diretamente com o problema. Esperas intermináveis, falta de médicos, descaso e revolta. O serviço se mostra insuficiente para a demanda que cresce cada vez mais.
A contratação de Oscips era considerada a fórmula mais acertada para resolver essa questão, mas o resultado ficou aquém do esperado - muito pelo contrário, agora é motivo de inquéritos envolvendo membros do alto escalão do governo municipal e que culminou com pedido de afastamento do prefeito - negado pela Justiça. Para reduzir o impacto, servidores e trabalhadores temporários assumiram o Programa Saúde da Família (PSF), a Policlínica Municipal, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e a Central de Regulação e Serviço de Internação Domiciliar (SID).
A saúde pública é tratada de forma bem peculiar pelos administradores públicos, e isso não é uma exclusividade londrinense. Uma das obrigações mais básicas não recebe a atenção devida. A desculpa mais comum é a falta de verbas para a oferta de atendimento de qualidade para tratar a população com o mínimo de dignidade.
O difícil é tentar explicar como pode haver escassez de dinheiro para a saúde diante de recordes mensais de arrecadação de impostos. A sensação é de que, na verdade, faltam seriedade e senso de responsabilidade, enquanto sobram casos de desvio. Até quando a população que não está no rol dos usuários de planos de saúde ficará à mercê de tanto descaso?





