Novo capítulo no combate ao crack
O primeiro passo para o combate mais efetivo contra o aumento no consumo do crack parece ter sido dado nesta semana com a criação do portal Observatório Nacional Sobre o Crack (www.cnm.org.br/crack), pela Confederação Nacional dos Municípios, como mostrou reportagem de ontem nesta FOLHA. Uma iniciativa importante que tem como objetivo ajudar os gestores municipais na luta contra a droga. Além de levantar dados, o site também vai mostrar bons exemplos que podem servir de inspiração a outras cidades.
Estimativas apontam que pelo menos 300 mil pessoas devem morrer em decorrência do consumo das pedras nos próximos seis anos em todo o Brasil. Segundo especialistas, há cerca de 1,2 milhão de usuários no País e a idade média para o início no vício é de 13 anos.
Pesquisa feita pela própria Confederação mostra o aumento nos índices de violência em decorrência do consumo do crack. O levantamento apurou um dado assustador: a droga chegou a 98% dos municípios. Revelou ainda que muitos gestores municipais não recebem orientação sobre como combater o consumo desse tipo de entorpecente.
Os números também evidenciam falhas que precisam ser corrigidas. Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que são a principal estratégia para acolhimento e tratamento dos portadores de transtornos mentais (grupo no qual os usuários de drogas estão incluídos), cobrem apenas 14,78% dos municípios brasileiros, número insuficiente para atender à crescente demanda.
Mostram ainda que só 8,43% das cidades confirmaram a implantação de programas municipais de combate ao crack e outras drogas. Grande parte da dificuldade em adotar os programas está na falta de verba: 24,6% dizem receber auxílio financeiro do governo federal para ações desse tipo, 13,8% do estadual e 3,6% de outras instituições. A maior parte dos municípios que possui plano de enfrentamento em execução utiliza recursos próprios - 62,4%.
As altas taxas de consumo de drogas são associadas por muitos estudiosos ao aumento da criminalidade. Entretanto, não bastam apenas levantar números. Já passou da hora de encarar de frente esse problema que se tornou crônico.





