Novo capítulo do mensalão
Mais de seis anos depois de vir à tona o episódio que representou a maior ameaça ao mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e cuja existência sempre foi negada por ele próprio e pelo Partido dos Trabalhadores, o escândalo do mensalão ganhou novo capítulo na última semana, quando a Procuradoria Geral da República reforçou a tese de que uma quadrilha chefiada pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, teria usado recursos públicos para garantir apoio político no Congresso, no primeiro mandato de Lula.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a condenação de 36 pessoas. ''Trata-se da mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber'', afirmou. Mais de 600 testemunhas foram ouvidas e milhares de provas produzidas. O processo tem mais de 200 volumes e ultrapassa 40 mil folhas, além de 400 volumes de documentos em anexo.
Agora o processo do mensalão entra em um caminho longo até seu julgamento final pelo Supremo Tribunal Federal. A partir do início de agosto, os réus terão 30 dias para apresentar as últimas defesas e o voto do relator do caso no STF, ministro Joaquim Barbosa, deve concluir seu voto até dezembro. Sua previsão é de que o destino dos acusados seja decidido somente em 2012.
O compasso lento do processo faz com que episódios no mínimo inapropriados ocorram, criando uma sensação de impunidade. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, um dos personagens do escândalo, foi refiliado com grande festa; o ex-presidente nacional do partido e ex-deputado José Genoino tornou-se assessor especial do Ministério da Defesa; já o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) conquistou a comissão de Constituição e Justiça da Câmara, uma das mais importantes, para ficar em poucos exemplos.
Agora é aguardar o julgamento do STF que colocará ponto final neste episódio que marcou negativamente a recente história política do País. O julgamento histórico pode representar recado de que popularidade não representa imunidade. Trata-se de uma decisão que pode servir para fortalecer a democracia brasileira.





