O segundo mês do ano apenas passou da metade e dois novos reajustes nos preços dos combustíveis já foram anunciados pela Petrobras. O brasileiro já tem que estar preparado para pagar mais para rodar, uma vez que o aumento é válido já a partir desta sexta-feira (19). É o quarto reajuste da gasolina e o terceiro do diesel em 2021.

Os preços da gasolina nas refinarias subirão 10,2% e os do diesel, 15,1%. Desde janeiro, a alta acumulada é de 34,7% e 27,7%, respectivamente. Nas bombas, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), os repasses elevaram o preço da gasolina em 6,8% entre a última semana de dezembro e a semana passada. O valor do diesel nos postos subiu 4,6% no mesmo período.

De acordo com analistas, o cenário não é animador, já que ainda há espaço para novos aumentos. Condições internas e externas justificam essas previsões. Uma delas é a retomada da economia global com o avanço da vacinação contra a Covid-19. Outra é a onda de frio no Texas, nos Estados Unidos, que paralisou parte da produção local de petróleo e combustíveis.

É óbvio que o aumento dos combustíveis afeta a rotina de todos. Os preços da maioria dos produtos sobem nessa esteira. O custo de vida aumenta. A consequência pode ser medida por meio de uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (18), que aponta o aumento do endividamento das famílias.

O percentual de famílias endividadas (com dívidas em atraso ou não) no país foi de 66,5% em janeiro deste ano. O dado é de pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Já o percentual de inadimplentes - famílias com dívidas ou contas em atraso - chegou a 24,8%.

Sem ter como pagar as contas, muitas famílias ficam ainda mais pressionadas. E assim cresce o apelo ao governo federal pela volta do auxílio emergencial. A União, no entanto, quer “dividir a conta” com os estados ao propor mudanças importantes no cálculo do ICMS sobre os combustíveis.

A ideia é que o imposto passe a ser cobrado apenas na etapa da produção e com um valor fixo em reais para todo o país, e não com uma alíquota percentual em cada estado, como é hoje. O governo alega que o novo sistema daria maior previsibilidade aos preços.

Já governadores relutam em aceitar a modificação com medo de perder receita. O certo é que os esforços para segurar os preços dos combustíveis deveriam ser conjuntos. E dessa forma seria garantido um alívio a quem mais precisa: o cidadão comum brasileiro.

Obrigado por ler a FOLHA.

mockup