Novas trapalhadas do Enem
Pelo jeito, novas trapalhadas podem ocorrer com as provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Depois do vazamento de informações, a fixação, ontem, de novas datas tendem a causar transtornos a um grande número de candidatos e às próprias universidades que terão de alterar a programação.
O Ministério da Educação anunciou que a nova prova ocorrerá nos dias 5 e 6 de dezembro. A data, no entanto, coincide com o calendário de outros vestibulares incluindo de universidades que irão utilizar a nota do exame para sua seleção. É o caso das universidades de Santa Catarina e Federal do Paraná.
O fato de o ministro da Educação, Fernando Haddad, ter entrado em contato com algumas universidades - cujos vestibulares coincidem com a nova data do Enem - não quer dizer muita coisa. Tudo bem que o ministro falou com os reitores das federais de Juiz de Fora, Santa Catarina e UnB (Universidade Nacional de Brasília). Segundo o ministro, os três reitores aceitaram mudar as datas de seus exames.
E as outras universidades? No Paraná pelo menos a Federal e a UEL são prejudicadas. A UEL, por exemplo, diz que não muda a data. Será que não muda mesmo?
Seguindo ou não a orientação do MEC, a confusão - de novo - está instalada. Por que as universidades não foram convidadas a opinar? O ministro diz ter conversado com três reitores. Eles foram convidados a opinar ou foram comunicados? Na verdade, eles receberam um comunicado. Será que é assim que se decide as coisas no terreno da educação?
Sobre o vazamento de inforamções, o presidente do Inep (órgão ligado ao MEC), Reynaldo Fernandes, disse que o governo espera as conclusões das investigações para decidir se pedirá o ressarcimento dos gastos com a impressão da prova. Se na apuração ficar comprovado que é de responsabilidade do consórcio, o Inep vai entrar com pedindo o ressarcimento na Justiça. Tem que ser investigado.
Medidas autoritárias não resolvem. Depois que o ladrão entrou o Inep vai recuperar a porta arrombada. Deveria ser mais zeloso antes, com medidas preventivas. Agora que estudantes e a sociedade levantam dúvidas sobre a segurança pouco adianta punir culpados. Até porque a população anda meio descrente com relação a efetividade de medidas moralizadoras. Exemplos de impunidades existem em profusão.





