Novas regras da poupança
Discussões sobre novas medidas que ajudem na promoção do desenvolvimento econômico sempre são positivas. Parece óbvio que a taxa básica de juros - a Selic - precisava ser reduzida. O Brasil tem um dos maiores percentuais do mundo, cenário demasiadamente fértil para a atração de capital especulativo, em detrimento de investimentos. Outro ponto comum são as taxas dos bancos, altas para os consumidores em geral; e o Spread (diferença entre os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos e taxas pagas aos investidores).
No entanto, toda mudança na correção das cadernetas de poupança merece cuidado. De acordo com a nova regra anunciada pelo governo federal, a aplicação terá um gatilho, que será ''acionado'' todas as vezes que a taxa básica de juros for igual ou inferior a 8,5% ao ano - atualmente o índice é de 9%. Neste caso, novas cadernetas e novos depósitos terão seus rendimentos calculados com base em 70% da Selic, acrescidos da Taxa Referencial (TR). Enquanto os juros estiverem acima de 8,5%, nada muda, inclusive para as novas poupanças, que continuam a ter uma correção de 6,17% ao ano mais TR como prevê o modelo atual.
O anúncio do governo foi motivado pelo temor de que uma taxa Selic muito baixa provoque uma debandada de investimentos das demais aplicações financeiras para a poupança, que passaria a ser mais atrativa. E, nesse caso, o governo terá dificuldade de vender títulos para refinanciar a dívida pública.
É preciso considerar também que a mudança não pode gerar incertezas para as pessoas que investem em caderneta de poupança, a maioria pequenos poupadores. Com taxas menores, a poupança é atrativa apenas para quem tem pouco dinheiro, motivo também que não é taxada pelo Imposto de Renda. Grandes investidores optam por outras aplicações, com remuneração mais elevada. Os pequenos poupadores não podem ser os únicos a pagar a conta da alta taxa de juros. É preciso discutir todo o sistema financeiro para estabelecer regras mais justas para todos os envolvidos nessa cadeia.





