Há poucos dias, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez importantes declarações sobre o ensino universitário brasileiro, sinalizando caminhos que abrem novas perspectivas para a nossa Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Falando a ministros da Educação de 34 países membros da OEA (Organização dos Estados Americanos), o presidente defendeu a abertura de mais vagas nas universidades públicas como forma de democratizar o acesso das pessoas mais pobres ao ensino superior.
FHC criticou a baixa média de oito alunos por professor nas universidades públicas e afirmou que elas representam um custo para a sociedade que precisa ser correspondido com o aumento das vagas, para que permaneçam, como devem, públicas e gratuitas, e sirvam a um número cada vez maior de alunos e famílias.
Tais afirmações vêm de encontro à luta do Oeste do Paraná pela constante ampliação da oferta e da melhoria da qualidade do ensino universitário, num ambiente que ainda sofre limitações diante de uma demanda sempre crescente.
Em seu pronunciamento, o presidente da República referia-se especificamente às universidades públicas federais, mas suas afirmações valem do mesmo modo e têm a mesma força em relação às universidades públicas estaduais, como a Unioeste, que é gratuita.
Isso significa que estamos no caminho certo na luta comum da comunidade regional para que a Unioeste abra novos cursos de acordo com a vocação de cada uma de suas unidades, amplie sua presença nos municípios sob sua área de influência e dê um salto de qualidade.
Nesse sentido, encontramos na palavra do presidente da República o maior respaldo possível para o esforço que, junto com a comunidade universitária e a sociedade do Oeste do Paraná, desenvolvemos para, por exemplo, efetivar no campus de Foz do Iguaçu da Unioeste os cursos de Enfermagem, Medicina, Odontologia, Engenharia Civil, Jornalismo, entre tantos outros apontados em recente pesquisa pelo Grupo Comunitário Pró-Unioeste, sintetizando o anseio da população com sua instituição de ensino superior.
Cito por exemplo que a implantação do curso de Enfermagem, autorizado para apenas uma turma com recursos de entidades religiosas italianas, encontra-se em estudo para sua continuidade em um segundo vestibular em janeiro de 99. O processo já está bem adiantado, mas depende de decisão do governo estadual, que por sua vez depende do empenho, da pressão da sociedade na defesa de seus interesses. O curso de Enfermagem viria ao encontro dos interesses da clientela universitária e às necessidades do mercado de trabalho da região. Não há, pois, razões para que sua implantação seja postergada por mais tempo.
Outra proposta pela qual estamos nos batendo há tempo é a extensão da Unioeste para o município de Medianeira, de onde partem diariamente centenas de estudantes para frequentar a Universidade em Foz do Iguaçu e Cascavel, num desperdício injustificável e num sacrifício insuportável. Está exaustivamente demonstrado que Medianeira, como outros municípios da região, necessita de um campus da Unioeste e tem todas as condições para isso.
Nestas lutas, é reconfortante ouvir do presidente da República afirmações que combinam perfeitamente com os pleitos que sustentamos junto ao governo do Estado para o desenvolvimento do que costumamos chamar de ‘‘vocação universitária do Oeste do Paranᒒ. O chamamento feito pelo presidente se aplica em cheio à nossa realidade.
A pregação que ele faz pela oferta de mais vagas e pela democratização das universidades públicas cabe como uma luva para a Unioeste. É mais uma razão, mais um argumento para as batalhas sem trégua que temos de sustentar pelo desenvolvimento do ensino superior de acordo com as potencialidades e necessidades da região.
- SÉRGIO SPADA é deputado estadual e presidente do PSDB em Foz do Iguaçu

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