O Complexo Marco Zero - conjunto comercial e de lazer projetado para Londrina - está ainda na fase embrionária mas a primeira perspectiva concreta é a implantação de um grande shopping center, que será administrado pelo grupo Sonae Sierra, com sede em Portugal e já com nove unidades no Brasil. O Marco Zero é o ponto onde os primeiros colonizadores acamparam e localiza-se na zona leste. Na prancheta arquitetônica sobre o amplo terreno que pertencia ao grupo multinacional Anderson & Clayton (que comercializava café e algodão) estão desenhados o Teatro Municipal, um centro de convenções, um hotel e agora o shopping.
O imobiliarista Raul Fulgêncio, que capitaneia um grupo de empresários interessados nesse empreendimento e foi o idealizador da aquisição do terreno (onde ainda existem velhas instalações e até um ramal ferroviário desativado) revela à FOLHA que o grupo Sonae acaba de confirmar seu interesse na implantação do shopping, do qual será detentor de 80%, e que a previsão é inaugurá-lo em abril de 2009. Um empreendimento de R$ 140 milhões, com 200 lojas e 2.500 vagas de estacionamento. As bases estão lançadas, esperando-se que o projeto se conclua conforme o propósito. O projeto é ousado e contempla uma região da cidade que, por ser pioneira, envelheceu-se, mas que ganhará revitalização se vierem a florescer todos esses empreendimentos.
Londrina tem dois shoppings emperrados - o que se localiza ao lado do Carrefour e está totalmente edificado mas, por várias razões (nunca suficientemente reveladas) estancou há mais de uma década; e o que seria o shopping automotivo, na Via Leste-Oeste, uma estrutura em aço ainda nos alicerces e que não se sabe se ressuscitará. Um terceiro (que seria de material de construção, ao lado do shopping Catuaí) mudou de rumo e converteu-se em ala universitária da Unopar.
Mas isto não invalida o lançamento de estabelecimentos congêneres - o Marco Zero, de que se fala, mais o que foi lançado há poucas semanas para os Cinco Conjuntos - também com 200 lojas e que, ao que se anuncia, já tem todo o capital garantido - e a também anunciada ampliação do Shopping Catuaí. O shopping dos Conjuntos terá como parceiro forte o grupo Super Muffato. São arrojados empreendimentos, estribados na solidez de empresas de tradição. O Teatro Municipal depende de verbas governamentais, sob a administração do poder público municipal, e é obra para os próximos anos, mas como é anseio antigo da comunidade acabará se concretizando, com certeza. O projeto arquitetônico já foi lançado, mediante concurso nacional, mas poderá sofrer alterações, porque já recebeu algumas novas sugestões - inclusive publicadas neste Jornal - quanto a detalhes de funcionalidade. O hotel e o centro de convenções irão também depender de empreendedores interessados. O centro de convenções, especialmente, é obra também de há muito reclamada, porque tal não existe em Londrina, e tudo o que um dia a cidade desejou acabou se tornando realidade. Ou Londrina não seria a metrópole que hoje é.

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