Caso os especialistas que discutem ecologia na Rio+20 precisarem de um case sobre as consequências de problemas ambientais mal resolvidos encontram bom campo de análise, hoje, em Londrina. A chuva forte da última terça-feira provocou muitos estragos e afetou 50 mil moradores. O principais danos registrados esta semana já foram sentidos pela população oito meses atrás, quando um temporal alagou várias regiões e destruiu ruas e calçadas.
Especialistas apontam o assoreamento do Lago Igapó como a maior ameaça nos dias de temporal, pois ele já não consegue dar vazão ao grande volume de água que chega de uma só vez. Se nada for feito pela Prefeitura, o cenário de caos de terça-feira vai se repetir novamente quando a cidade voltar a registrar uma precipitação como essa. No início da semana choveu 249,8 mm em quatro dias. Desde 1997, Londrina não via um junho tão chuvoso.
O Lago Igapó é formado pelo represamento do Ribeirão Cambezinho, que ao longo dos seus 27 quilômetros registrou muitos problemas na última terça-feira. Ele recebeu a terra de um grande deslizamento que ocorreu às margens da Avenida Castelo Branco. Pontes foram afetadas, assim como barreiras de proteção e até mesmo o abastecimento de água na Zona Sul foi interrompido em consequência do rompimento de uma tubulação.
Será somente a chuva a culpada pelo caos que tomou conta da cidade na terça-feira? O poder municipal e a própria população têm grande responsabilidade devido à falta de cuidados com os recursos naturais de Londrina. Para que a situação não volte a se repetir, cabe à Prefeitura investir em obras de drenagem urbana. É preciso pensar preventivamente. Assim como os cidadãos, que devem rever seus hábitos, parar de transformar os rios e fundos de vale em despejos irregulares de dejetos e manter pelo menos 20% de seus terrenos sem calçamento para ajudar na drenagem natural.

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