A discussão iniciada sobre novos modelos de reajuste das tarifas de energia elétrica é saudável. O Brasil tem um dos maiores custos do mundo. Para exemplificar, a tarifa nacional é de R$ 329 por megawatts hora; os chineses pagam R$ 142,4, enquanto os norte-americanos, R$ 124,7. Já os vizinhos Paraguai e Argentina (parceiros na Usina de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo) desembolsam R$ 84,4 e R$ 88,1, respectivamente.
A nova proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é considerar na revisão tarifária a eficiência das distribuidoras, o nível de investimento e a qualidade do serviço prestado ao consumidor. A iniciativa pretende reduzir o índice de reajuste caso o número e a duração de interrupções de energia cresça em relação ao ano anterior. Por outro lado, poderão também ter o reajuste ampliado caso seu desempenho melhore.
A iniciativa é positiva mas, na prática, pouco representará ao consumidor. Estimativas iniciais da Aneel indicam que esse novo fator terá impacto máximo de apenas 0,3% na tarifa, para mais ou para menos. O modelo, que leva em conta a eficiência das empresas é bastante positivo e, considerando o modelo atual, representa até um avanço. Desta forma, os operadores serão obrigados a investir em novos modelos de gestão e garantir um serviço de qualidade para aumentar o reajuste da tarifa.
No entanto, a Aneel pode interferir em apenas 25% do valor total da tarifa. Mas poderia também sugerir uma redução de tributos e encargos, responsáveis por cerca de metade do valor pago pelo consumidor. Um absurdo, considerando um serviço extremamente essencial, tanto à cadeia produtiva como para a população. Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro aponta que o custo da energia industrial também é dos mais altos do mundo, o que encarece o preço final dos produtos e reduz a competitividade brasileira no mercado internacional. Talvez seja também o momento de redefinir o peso de todos os itens que compõem a tarifa.

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