Nova política de capacitação da UEL
Ivan Frederico Lupiano DiasA Universidade Estadual de Londrina (UEL), com apoio da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), tem investido bastante na capacitação de seus recursos humanos. Uma prova disso é o estudo recente, desenvolvido pela Coordenadoria de Pesquisa e Pós-Graduação (CPG), onde se pode constatar que, atualmente, 217 docentes usufruem de licença para frequentar cursos de pós-graduação. Em licença do tipo concomitância, ou seja, para capacitar-se mantendo parte de suas atividades nos departamentos, estão liberados 31 docentes para doutorado, 30 para mestrado e um para especialização. Com licença integral, ou seja, com vencimentos e bolsa da Capes, estão liberados 123 para doutorado e 27 para mestrado. Com licença sem vencimentos, três para doutorado e dois para mestrado. Além desses, cerca de 150 docentes, aproximadamente 100 em mestrado e 50 em doutorado, mantêm vínculos com instituições que ofertam programa de pós-graduação, visando a capacitar-se. Assim, temos hoje na UEL cerca de 360 docentes em processo de capacitação em mestrado e doutorado.
Este contingente formidável de docentes em capacitação aponta um cenário promissor para nossa instituição nos próximos anos. Ao final de 2002, a UEL atingirá a marca de aproximadamente 650 doutores e 700 mestres. Considerando-se os dados existentes na Capes, estaríamos entrando para o seleto grupo de instituições com capacitação entre 30% a 50% de doutores, igualando-nos a instituições com UFRGS, UnB, Unesp, UFMG entre outras. Entretanto, é necessário otimizar a formação de nossos recursos humanos.
Um dos grandes problemas das instituições de ensino superior do nosso país é a dispersão do perfil de formação dos docentes pesquisadores em seu processo de capacitação. A saída para capacitação não ocorre, na maioria dos casos, em termos de definição de prioridades ou no contexto de um planejamento bem adequado visando a formação de áreas de excelência ou oferta de cursos e programas de pós-graduação pelos departamentos, ou atendendo às necessidades de desenvolvimento regional.
Esta situação para o docente, ao seu retorno à UEL, não permite grandes perspectivas de aplicar seus conhecimentos visando a melhoria de produtividade e contribuição para o trabalho nos grupos de pesquisa ou mesmo para a formação de novos grupos. Também influi no planejamento das condições de infra-estrutura para o pleno desempenho junto aos departamentos e interfere ainda na melhoria da qualidade do ensino por não se criar uma atmosfera de discussão ampla e abrangente que permita ao aluno participar mais ativamente de atividades de pesquisa.
O resultado disso para as instituições é a não otimização da produção intelectual, científica, tecnológica ou artística, da oferta de programas de pós-graduação, do número de projetos de pesquisa enviados e/ou aprovados por órgãos de fomento. Ocorre ainda, uma desvinculação do processo de formação do docente das necessidades de P&D regionais ou estaduais.
Neste contexto, a Comissão Permanente de Capacitação Docente, por sugestão da Coordenadoria de Pesquisa e Pós-Graduação desenvolveu, em setembro de 1998, uma política junto aos centros de estudos, na qual vincula a saída para capacitação à definição de áreas/linhas de pesquisa prioritárias por parte dos departamentos. Esta política, original em termos do País, está sendo considerada como um dos modelos a ser discutidos pela Fundação Capes/MEC e tem despertado o interesse de outras instituições de ensino superior.
O texto Áreas/Linhas de Pesquisas da Universidade Estadual de Londrina está sendo disponibilizando pela CPG para a comunidade interna e externa ao campus universitário. Pretende ser um instrumento preliminar, para o autoconhecimento da UEL, de quem realmente somos em termos de pesquisa e também para possibilitar uma interação mais efetiva com a comunidade externa, com órgãos públicos, instituições de pesquisa, empresas públicas e privadas. É um instrumento que permitirá consolidar nossas pesquisas e ampliar a inserção de nossa instituição no desenvolvimento social, político, econômico, tecnológico e industrial da região.
- IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é coordenador de pesquisa e pós-graduação da UEL

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