Antes, era uma contribuição para se ter duas dezenas de folhas de cheque e assim poder ter uma conta em banco. E só. Depois da criação de inúmeras tarifas pelos bancos, veio o Estado com a sede habitual de arrecadação, invadiu nossas contas para tomar o IPMF/CPMF que, pelas mãos do novo governo, deixará de ser provisório para ser definitivo.
A população, naturalmente se ''defende'', evitando utilizar tantos cheques e usando mais dinheiro ''vivo'' ou o cartão de crédito para o pagamento de suas necessidades básicas. Nesse contexto, temos o ''dinheiro de plástico'' que faz do sistema financeiro (leia-se administradoras e bancos) verdadeiros ''sócios'' da cadeia produtiva brasileira.
Eu, você, todos nós, pagamos a anuidade de nossos cartões, que normalmente é salgada e chega a custar mais do que uma manutenção de conta em banco e, indiretamente, a taxa de administração.
O comércio em geral e a cadeia produtiva como um todo, pagam às administradoras e aos bancos uma porcentagem de suas vendas e faturamento a título de taxa de administração, que é extremamente pesada e varia de 3 a 5%.
Assim temos a nova ordem financeira/bancária nacional: a substituição do velho cheque pelo cartão de crédito e a aposição de parte do sistema financeiro, como verdadeiros ''sócios'' dos comerciantes e estabelecimentos em geral, embolsando parte de suas vendas.
As administradoras e os bancos não têm mais a despesa de outrora como o papel-moeda dos talões de cheques dentre outras, mas agora ''faturam'' em cima de tudo o que se produz e o que se vende em nosso país. Um excelente negócio, para alguns.
''Se ficar o bicho pega...'' (no cheque tem CPMF) ''...e se correr o bicho come'' (no cartão tem anuidade e indiretamente a taxa de administração e o comerciante ainda repassa parcela de suas vendas às suas ''sócias'' administradoras).
As reformas de que tanto necessitamos deveriam começar pelo Sistema Financeiro acabando com o imperialismo bancário existente neste país e dando a eles o que é justo e quem sabe sobraria um pouco mais dinheiro para a população comer, para o aposentado poder sobreviver, para o comerciante empregar mais pessoas e ampliar seu negócio e até para se pagar os impostos.
Este é o nosso Brasil de muitas oportunidades, para poucos, infelizmente.
FÁBIO CHAGAS THEOPHILO é advogado em Londrina

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