Aos poucos a legislação eleitoral vai fechando o cerco aos abusos das campanhas políticas, e o que a lei de dois anos atrás estabeleceu passará a valer para o comportamento dos candidatos nestes meses que antecedem as eleições. Muita coisa está proibida, como outdoors, placas, faixas, cartazes, internet, distribuição de brindes e showmícios, estes últimos já de bastante tempo. Vale para os locais públicos e também para as áreas privadas que tenham ampla visão para as pessoas, como shoppings, igrejas, terminais urbanos, lanchonetes, cinemas, clubes, lojas, estádios.
Os denominados santinhos são permitidos mas a Justiça Eleitoral terá de saber quais as gráficas que os imprimem. Há casos de candidatos que afixam cartazes de adversários em lugares proibidos para prejudicá-los. Os órgãos fiscalizadores advertem para o despejo de material de propaganda pelas ruas, o que infringe também a lei da limpeza pública e do meio ambiente, por entupir bueiros e poluir rios. Se não faltarão os que irão burlar as leis, o endurecimento das regras poderá tornar mais sadio e menos corrompido o processo eleitoral.
Se essas medidas são necessárias e diminuem o abuso do poder econômico e de outras práticas nocivas, a melhor providência será impedir - embora para esta eleição os candidatos já estejam definidos - que os partidos lancem os que tenham ficha suja, e não apenas isso mas que selecionem com rigor mesmo aqueles considerados limpos, para assim contemplar os mais preparados. Dentro de dois anos haverá novas eleições e é tempo de dar começo a esse processo saneador. É no círculo partidário onde essa primeira depuração deverá ser feita, e se isto não irá garantir um resultado plenamente eficiente ao menos fará um bom expurgo.
Tem-se falado que para tudo se exige qualificação e idoneidade, menos dos candidatos a cargos eletivos, e certamente esse rigor um dia chegará à legislação eleitoral. Também o eleitor não tem segurança de que, escolhendo o que ele julgar melhor, não acabe elegendo alguém que venha a se revelar desonesto, mas também aí cabe o exercício do mais apurado critério.
Os tidos como bons nem sempre estão entre os populistas, que se tornam conhecidos por alguma atividade e não significa que possam ser bons administradores só porque são bons de discurso; e nem entre os que acenam com compra de voto e os que muito prometem. Com a Justiça Eleitoral atenta e com os partidos políticos, eleitores e candidatos bem-intencionados atuando juntos, a moralidade pública haverá de se implantar.

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