Nova guerra, velhos motivos
Não poderia ser mais simbólico o anúncio da participação norte-americana na ação militar contra o ditador líbio Muamar Kadafi ter sido feito por Barack Obama justamente no primeiro dia de seu rápido giro pelo Brasil, uma vez que a diplomacia tupiniquim defendeu no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas uma saída pelo diálogo. Os bombardeios ao território líbio começaram ainda na tarde de sábado, e não é possível dizer quanto tempo levará o conflito.
A guerra começou bem na hora do banquete e dos brindes entre Obama e Dilma Rousseff, no Itamaraty, conforme as agências de notícias. Durante o encontro houve bochichos por todos os lados, sendo confirmada pelo próprio presidente dos EUA à brasileira. O assunto ofuscou a visita de Obama ao País no noticiário internacional, para pesadelo do governo brasileiro.
A coalizão internacional é composta por EUA, França, Reino Unido, Canadá e Itália. Trata-se da maior intervenção estrangeira em um país árabe desde a invasão do Iraque, em 2003. A decisão foi tomada após reunião em Paris, que reuniu líderes de 17 países.
A operação recebeu o nome de ''Odisseia da Alvorada'' e tem como objetivo oficial proteger civis e impor uma zona de restrição aérea no país norte-africano, que, não por acaso, tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Os alvos principais no sábado foram instalações de defesa aérea nos arredores de Trípoli e Misurata.
Após uma noite, as forças pró-ditador foram expulsas de Benghazi, segundo afirmaram os oposicionistas ontem. A interrupção do avanço das forças líbias sobre a cidade símbolo da resistência rebelde foi o primeiro grande resultado da ofensiva internacional. Há relatos de mortos nos dois lados (pró e contra governo).
Ontem aviões dos Estados Unidos atacaram alvos líbios e navios lançaram mais de 40 bombas contra importante aeroporto, um esforço para destruir a Força Aérea de Kadafi. O regime do ditador anunciou um segundo cessar-fogo; resta saber se não o ignorará como fez da primeira vez. Anteriormente havia dito estar preparado para ''longa guerra''. Ainda há preocupação de que Kadafi use civis como barreiras humanas.
A situação na Líbia é a mais grave desde o início do levante popular contra ditaduras no mundo árabe. Resta saber se o desfecho terá os mesmos ingredientes de outras ações, como as do Iraque e do Afeganistão, que até hoje custam vidas preciosas de inocentes.





