Eles são influenciáveis, gostam de quebrar regras, têm comportamento instável e enxergam os pais como ''caretas''. Assim é a maioria dos adolescentes, conforme aponta uma pesquisa realizada por Caio Feijó, mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência e especialista em Psicologia Clínica para jovens, adultos e famílias.
''A era da revolução tecnológica altera significativamente o comportamento dos adolescentes'', afirma o autor da pesquisa em entrevista à FOLHA. Segundo ele, os pais devem aprender a educar seus filhos no século XXI, entendendo que essa geração é infinitamente diferente de todas as outras.
Qual o perfil do adolescente da atualidade?
Ele ainda mantém as principais características de sempre, como a busca de uma identidade, tendência de viver em grupo, contradições de conduta, necessidade da separação dos pais, flutuações de humor e impulsividade. No entanto, o adolescente do século XXI nasceu na era da revolução tecnológica, o que altera significamente o seu comportamento.
Uma das constatações da pesquisa é que o jovem sofre influências de todos os lados. Isso acontece pela necessidade de aceitação?
Também, mas principalmente por conta da busca de uma identidade. O adolescente ainda está com um pé na infância e já quer alcançar a vida adulta. Assim, o seu lado infantil ainda sofre as influências da família enquanto a sua parcela ''adulta'' tenta tomar decisões a partir de poucas experiências.
Até que ponto as influências externas podem prejudicar o jovem?
O uso de drogas, por exemplo, na maioria das vezes é resultado de influências externas. Quando não há respeito na família e quando a comunicação é falha, o jovem tende a ficar mais suscetível a essas influências. E, na maioria das vezes, ele é manipulado por estranhos aos quais dá mais valor do que aos pais, considerados caretas.
E como reverter isso?
Os pais devem aprender a educar no século XXI. Não podem mais se valer das suas experiências enquanto filhos para educar os seus. Essa geração é infinitamente diferente de todas as outras. Os pais não precisam necessariamente aceitar tudo, mas devem urgentemente reconhecer e respeitar essa diferença para conviver com os filhos em paz.
Por que a maioria dos adolescentes sente necessidade de romper regras? Como os pais devem agir diante disso? A conversa é a melhor saída?
Tem uma frase que ilustra esse tema de conflitos de gerações: ''Os mais novos querem revolucionar, mudar tudo, enquanto os mais velhos querem deixar tudo como está.'' O que acontece é que muitos filhos extrapolam e vão além do ''mudar tudo'', passando a não respeitar regras básicas de convivência social. É função dos pais estabelecer regras e limites aos filhos desde que eles nascem. Quando isso é feito com competência, as portas do diálogo sempre ficarão abertas dos dois lados.
Em que situações os pais devem encaminhar o filho adolescente a um tratamento psicológico? Como detectar quando o jovem está fugindo do controle?
Pessoalmente, não acredito em terapia para jovens e sim na terapia para a família independentemente do diagnóstico. Se os pais não se envolverem voluntariamente no processo de mudanças, dificilmente haverá evolução positiva do prognóstico. O jovem somente foge do controle dos pais quando não existe mais qualquer vínculo, nem afetivo e nem de respeito entre eles. Assim, manter o vínculo com o filho é uma das principais missões paternas.

mockup