Uma nova doença foi registrada pela primeira vez no Brasil. Trata-se da chikungunya, mais conhecida como doença asiática, por ter origem no Sudeste da Ásia e na África. Três casos já foram registrados no País: dois homens - um do Rio de Janeiro e outro de São Paulo, que viajaram para a Indonésia -, e uma mulher, de São Paulo, que chegou recentemente da Índia. O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo vetor da dengue.
''O Brasil está vulnerável à doença. Toda a população está suscetível'', afirma o infectologista Jan Walter Stegmann. Ele ressalta que a globalização aumenta a probabilidade do vírus se espalhar. Outro problema é que várias regiões enfrentam proliferação de casos de dengue. Em 2006, houve um surto na Índia que contaminou 1,3 milhão de pessoas, sem ocorrência de mortes.
A taxa de mortalidade da doença é baixa, no entanto, o médico alerta para a necessidade de tomar algumas precauções, a fim de evitar a proliferação do mosquito. ''É uma doença que está aparecendo mais agora e daqui para frente será mais vista e estudada'', enfatiza.
Foram registrados três casos de doença asiática no Brasil. Quais os riscos reais que a enfermidade representa e as chances de ocorrer uma epidemia?
Destes três casos registrados, um não teve viremia, ou seja, o cidadão não tinha o vírus da doença em seu organismo. Por isso, não foi feito nada. Já os outros dois infectados apresentaram viremia, sendo preciso detetizar os locais por onde passaram, como ao redor do aeroporto e na residência deles. O objetivo era matar os mosquitos infectados.
O Brasil está vulnerável à doença. Toda a população está suscetível. Quem o mosquito picar ficará doente. E essas pessoas serão as multiplicadoras do vírus. É uma progressão geométrica. Devido à globalização, a facilidade de qualquer doença se espalhar é maior.
O que fazer para que não haja mais disseminação?
O Ministério da Saúde já está fazendo a sua parte com a criação de centros de vigilância. Há locais preparados para detectar rapidamente o vírus e cercar a população. O cidadão comum, para evitar a doença, tem que tomar os mesmos cuidados recomendados para combater a dengue, pois o transmissor é o mesmo mosquito, o Aedes Aegypti.
Mas as pessoas costumam tomar os cuidados recomendados?
Não. A incidência de casos de dengue mostra que as pessoas não se cuidam. É algo cultural e que vai demorar gerações para mudar.
Quais os sintomas da doença asiática? E quais os tratamentos indicados?
Os sintomas são parecidos com os da dengue, mas são mais prolongados, podendo persistir por semanas e em determinados casos por anos. O infectado sente náuseas, dor de cabeça, tem febre e dores no corpo, principalmente nas extremidades, como nos dedos, pulsos e tornozelos. Os sintomas são mais intensos em idosos e crianças.
A doença pode ser tratada com remédios para dor. Não há vacina até porque é uma doença nova. Além disso, vem de país pobre e, por isso, não tem o mesmo investimento do que as enfermidades que vêm de locais mais ricos. A doença acaba sendo mais negligenciada.
A doença pode trazer implicações mais sérias? Quais?
Não deixa sequelas. A maior implicação é o sofrimento do doente, que sente muita dor e não consegue levar a vida normalmente. Não há relatos que comprovem outras implicações. É uma doença que está aparecendo mais agora. Daqui para frente, ela será mais vista e mais estudada.
O Brasil tem condições de tratar os infectados?
Sim. É mais fácil tratar alguém com doença asiática do que com dengue. Uma pessoa com dengue apresenta sinais mais graves, precisando interná-la. A doença asiática, devido às características do vírus, mata menos e a princípio não tem as formas hemorrágicas.

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