A ‘‘reinvenção’’ do imposto da saúde, nova versão para a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), encontra apoio entre governadores e prefeitos, o que dá força ao governo na tentativa de impor mais esse sacrifício tributário ao contribuinte. Entre garantir orçamento e ficar ao lado da população, contrária a medida, prefeitos e governadores preferem a primeira opção. É mais fácil e agrada ao presidente Lula e a presidente eleita Dilma Rousseff.
  Aqui no Paraná, a Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar) saiu na frente. O seu presidente, Almir Batista dos Santos (PDT), num momento de rara lucidez, teria dito que a entidade é contra a volta de cobrança na forma de contribuição, mas favorável na forma de imposto. O motivo, segundo ele, é que as contribuições foram criadas como artifício para que os recursos arrecadados fiquem apenas no governo federal, não sendo distribuídos entre os estados e municípios. É de se perguntar: quem lhe garante que vindo na forma de tributo a partilha será garantida?
  Mas, em termos de aumento de arrecadação, o que está por acontecer no âmbito federal transcende a sangria ao contribuinte, na forma mais grotesca via CPMF ou algo que a substitua - como quer o presidente Lula. O que está por acontecer é algo mais complexo - e positivo até - que pode beneficiar o governo, sem necessariamente penalizar a população. Em 2011, a presidente Dilma, além da pressão de prefeitos combalidos e governadores famintos, enfrentará outras situações. Terá de criar um modelo para a distribuição dos royalties do petróleo; comandar a reforma tributária e formatar a revisão dos critérios de distribuição do Fundo Nacional de Participação.
  Das várias opções, certamente a reinserção da CPMF, ou coisa do gênero, é mais fácil e de resultado mais rápido. Causará desgaste ao governo? Sem dúvida. Mas parte da população parece gostar disso. A dúvida é saber como consertar a saúde pública no País, algo degradante.

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