Se a estabilidade da economia contribuiu para melhorar a vida da população em termos de consumo, o mesmo não ocorreu no que diz respeito à qualidade de vida. Em um dos muitos contrastes que permeiam a vida dos brasileiros, é possível constatar que famílias com acesso a eletrodomésticos, carros e telefones celulares - os principais aparatos da vida moderna - ainda são desprovidas de serviços básicos de infraestrutura, como saneamento, asfalto, atendimento de saúde, entre outros.
Pesquisa recente do Instituto Data Popular aponta que 65% dos moradores das favelas de capitais e regiões metropolitanas do País já pertencem à tão conclamada classe média. O dado é reforçado por indicadores de consumo apontados pelo estudo: há 12 milhões de brasileiros morando em comunidades, que ganham R$ 56,1 bilhões por ano. Além disso, 52% desta população possui máquinas de lavar, 89% tem telefone celular e 40% tem microcomputador em casa. De acordo com os pesquisadores, o estudo é válido para todas as regiões do País, inclusive para o interior.
Nos últimos anos o aumento do consumo interno foi um dos fatores que ajudaram o Brasil a enfrentar a crise econômica mundial. A partir da redução das exportações, o mercado interno - amparado pela desoneração fiscal - sustentou a produção industrial e manteve o comércio aquecido. Se essa fatia da população é tão importante para a economia, é hora também de investir na sua qualidade de vida. O desenvolvimento do País só será atingido se a vida das pessoas melhorar em todos os aspectos: sociais e econômicos.
Além de oferecer moradia, é preciso pensar também na infraestrutura dos bairros, como escolas e postos de saúde. É importante investir em lazer e práticas esportivas para crianças e jovens porque essas alternativas oferecem uma ''formação humana''. É passada a hora de a ''nova classe
média'' melhorar, de fato, de vida.

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