O Índice Nacional da Educação Básica (Ideb) divulgado este ano é o retrato mais aprofundado da realidade do ensino nos primeiros anos de escolaridade do brasileiro. O resultado médio do país (3,8) signfica que os alunos estão assimilando apenas 38% do conteúdo do ensino fundamental. Nova América da Colina (32 km ao Sul de Cornélio Procópio) obteve uma das piores notas do Brasil (1,2). A divulgação do resultado, porém, estimulou a adoção de um sistema de consultoria de um grande grupo educacional que será custeado inteiramente pela iniciativa privada. A idéia partiu do deputado federal, Alex Canziani. A seguir, a entrevista com o prefeito da cidade, Alceste Iwanaga de Santana (PTB).

O município já tinha noção do fraco desempenho dos alunos na educação básica?
A princípio não, porque o primeiro Ideb que teve foi realizado em 2005, o mesmo ano que eu assumi, e o resultado só foi divulgado em 2007. Isso nos surpreendeu bastante e também nos entristeceu muito. É uma propaganda bastante negativa para nosso município e uma situação muito ruim para nossas crianças e jovens. A educação é o futuro da cidade, né?

Por que o ensino era tão ruim - pior que os municípios vizinhos?
Acho que há várias razões que vem de muito tempo. A primeira é a dificuldade no transporte escolar, a gente tem muito aluno da zona rural e os problemas de transporte acabam prejudicando. Outra coisa é que muitas famílias da zona rural são carente também, então durante a safra de café, outras coisas, eles vão para outras regiões trabalhar e quando retornam não conseguem mais acompanhar, acabam perdendo muitas aulas, conteúdo e até mesmo o ano. E também acredito que o quadro de professores tem que ser mais bem treinado - e durante esse tempo todo eu acho que não era. Nós pegamos essa situação aí, mas estamos correndo para reverter.

Que ações foram tomadas?
A partir do resultado do Ideb, que reflete as condições da educação básica, fomos atrás de idéias para revolucionar isso. Daí a gente começou a trocar idéias, pensar em como fazer, e descobrimos, com ajuda do deputado, essa instituição de Ribeirão Preto - Sistema COC de Ensino - e fomos lá visitar. Esse pessoal dá assistência a cinco das dez melhores escolas de São Paulo segundo o Ideb. Daí, de início, sugerimos uma parceria, mas como eles falaram que tinha um custo de R$ 180 por aluno ao ano e o município tem dificuldades, saímos atrás de empresas particulares da região para nos ajudar.

Houve receptividade?
Sim, a gente buscou a parceria com o Hotel Aguativa, que fica em Cornélio Procópio na divisa com nosso município, e a a Destilaria Americana, localizada em Nova América mesmo. Marcamos uma reunião e assim que o projeto foi colocado, ele aceitaram porque é uma melhoria para a comunidade, para nossas crianças. Cada uma das empresas se comprometeu em arcar com 40% do custo e o Sistema COC deu um desconto de 20% e arcou com o resto. Eles vieram aqui, se sensibilizaram com a situação e aceitaram colaborar também.

Em que consiste exatamente esse projeto?
O projeto consiste em trazer de Ribeirão Preto todo o material didático para as crianças, a metodologia de ensino, apostilas, tudo que for necessário. Seremos uma das primeiras primeiras escolas do Paraná em que isso vai ser implantado. Além do mais, eles vão fazer a capacitação dos professores. Como consequência disso, será instalada uma tele-sala em Nova América e será aberto um curso superior de Pedagogia à distância. Estaremos oferecendo 50 bolsas de ensino para os professores da rede e pessoas interessadas, além de cursos de gestão escolar e educação continuada. O pessoal do Sistema COC acredita que a gente poderá até dobrar o nosso desempenho.

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