Notas rebaixadas e economia
O rebaixamento da nota de crédito do Brasil, anunciado semana passada pela agência de análise de risco Standart & Poors (S&P), a princípio pouco interfere no dia a dia da população. No entanto, pode indicar que o governo federal não tem conduzido tão bem a política econômica, na avaliação do mercado externo. As recentes manobras contábeis, utilizadas para elevar o superavit primário, pesaram na decisão. Mas não é só isso.
No relatório emitido, há a análise de que os gastos públicos continuam elevados, o País apresenta baixo crescimento e ainda há a crise no setor elétrico. Neste último caso, foram apontados vários problemas: intervencionismo, mudança de regras e tarifas definidas por questões eleitoreiras. Tanto que foi notícia semana passada de que para este ano é esperado um aumento de, pelo menos, 9,5% na conta de energia. No caso da Copel, o próprio presidente sinalizou com um percentual maior, uma vez que a estatal estadual acumula resíduos não aplicados anteriormente.
O caso da energia é apenas um exemplo e demonstra claramente que as tarifas públicas são controladas pelo governo e podem variar conforme período eleitoral, pesquisas de opinião que avaliam a presidente ou realização de protestos populares. As regras têm que ser claras e devem ser cumpridas, mas os contratos têm que ser acordados de forma que beneficiem a iniciativa privada e os consumidores. Deve haver penalização em caso de serviços maus prestados, do não funcionamento correto do serviço. O consumidor não pode continuar a ser o único penalizado.
Desta forma, é interessante também que a população pressione o governo para reduzir os gastos públicos. A administração pública não pode continuar a aumentar seus gastos da forma inconsequente como vem ocorrendo. Nem as empresas privadas e nem as famílias gastam descontroladamente. Se esse comportamento é adotado, a conta chega um dia. A dívida bruta subiu quatro pontos percentuais no governo Dilma Rousseff (PT), de 54% para 58% do Produto Interno Bruto. Além disso, o deficit nominal subiu e o superavit primário caiu. As mudanças se mostram necessárias e são urgentes.





