Nota zero para o deboche
Depois da repercussão negativa provocada pela divulgação da boa nota que duas redações bem debochadas conseguiram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) anunciou que vai estudar alterações no edital do próximo concurso de 2013. Uma das dissertações incluía, no meio do texto, a receita de como fazer um macarrão instantâneo. A outra reproduzia parte do hino do Palmeiras. Elas receberam, respectivamente, 560 e 500 pontos (de um total de mil). Os autores, estudantes universitários, contaram que a gracinha seria um teste para avaliar a correção do exame, prova utilizada para selecionar o ingresso de alunos em muitas universidades públicas e privadas brasileiras.
As redações ganharam muita fama na imprensa e nas redes sociais. Primeiramente, o Inep justificou que as gracinhas dos candidatos não justificavam uma nota baixa - o instituto, ligado ao Ministério da Educação (MEC), é o responsável pela aplicação do exame. Segundo os avaliadores, tirando os parágrafos que começavam a falar repentinamente do macarrão e do futebol, sobraram ideias e argumentos aproveitáveis ao desenvolvimento do tema, Movimentos Imigratórios para o Brasil no Século 21.
Ontem, porém, autoridades do Inep voltaram atrás e disseram que a partir deste ano a intenção é punir com nota zero brincadeiras como essas que ocorreram no concurso de 2012. Muitos podem estar questionando qual seria a gravidade do episódio e há vários aspectos preocupantes nas redações engraçadinhas. Primeiro, é mais um escândalo envolvendo o nome do Enem, que já teve vazamento de prova e concurso cancelado. Em segundo lugar, o episódio expõe certa fragilidade no sistema de correção: será que não houve negligência na avaliação?
Por fim, que nota receberiam essas redações se corrigidas em uma escola de qualidade? Provavelmente, os dois estudantes seriam punidos com nota zero, pois há fuga do tema, o processo argumentativo ficou prejudicado e o raciocínio lógico foi quebrado.





