Nota dez no TCC comprado
Numa das ligações para uma dessas ''empresas'', o responsável pela produção explicou como funciona a execução de um Trabalho de Conclusão de Curso pago e descreveu até como agir no momento da apresentação para a banca examinadora. ''Você não pode ficar nervosa. Caso não seja uma boa aluna, tem que bater o pé e dizer que se preparou para aquele trabalho. Não tem como eles provarem que você comprou'', instruiu.
A artimanha para enganar professores e universidades é feita por uma máfia especializada. O serviço é encomendado a uma pessoa que, por sua vez, contrata outras que fazem a pesquisa. O trabalho é montado e antes da entrega o dono do 'negócio' remonta e passa todo o texto em dois programas: o ''farejador'' e o ''plágio'', que detectam se houve cópia da internet na íntegra. Quando questionado se o trabalho não teria transcrições de textos de livros, o vendedor de monografias explicou que muita coisa tem, mas há o cuidado de colocar as citações. E finalizou dizendo que os cursos campeões em compras são os de Direito e Marketing.
Consciência limpa
Depois de uma tentativa frustrada de plágio, Rodrigo (nome fictício), formado em Direito por uma universidade particular de Londrina em 2007, recorreu ao auxílio de uma pessoa para escrever seu TCC. ''Havia feito um trabalho pegando vários trechos de textos da internet. Só que o professor descobriu e chamou minha atenção dizendo que iria me reprovar se não fizesse outro.''
Faltando apenas dez dias para a entrega do trabalho, pagar foi a solução que encontrou. ''Eu tinha a ideia do trabalho, mas não conseguia colocar no papel, além disso, não tinha tempo. Fiquei sabendo de uma advogada recém-formada que fez exatamente o que eu queria. Para isso, foi mudando o trabalho antigo com as palavras dela'', lembra ele, que pagou mil reais pela execução do trabalho.
Com o trabalho pronto, Rodrigo fez a apresentação e tirou nota dez tanto na banca de avaliação, quanto no trabalho escrito. ''Como era um tema que gostava, não tive dificuldades para falar a respeito. O professor não estranhou nada, já que nas reuniões ele via que eu sabia do trabalho. Não tenho peso na consciência, pois a ideia eu tinha, apenas paguei para alguém escrever'', acrescenta. (Elaine Souza e Marian Trigueiros)





