Vários aspectos precisam ser ponderados sobre as medidas propostas pelo governo Jaime Lerner. A começar pelo fato de ter baixado o seu pacote de ‘‘ajuste fiscal’’ para enfrentar as consequências de seu próprio desgoverno, porque não agiu nos primeiros meses/anos do mandato atual no sentido de modificar a situação financeira do Paraná. Ao contrário, foi pródigo no desperdício, inclusive criando mais e mais secretarias, órgãos superiores e outros pesados penduricalhos e enganou a sociedade ao omitir a verdadeira realidade econômica e o quadro falimentar hoje existente.
Não há nas medidas nenhuma demonstração real e honesta de como andam o ‘‘caixa do governo’’, em especial, e a ‘‘saúde financeira do Paranᒒ, de modo geral. Para exigir sacrifícios e promover providências, o governador deveria mostrar a situação crítica, as causas da crise e os seus efeitos presentes e futuros. O governo Lerner, tal como o de FHC, mesmo com mais um mandato está envelhecido e tímido em providências e ousadias, pois todos sabemos que certas medidas ou são tomadas no início da gestão ou dificilmente acontecem depois.
Mas o objetivo maior que aqui reflito diz respeito a anunciadas ações sobre os ativos do Estado. Partindo-se de uma constatação de valor ético e de dimensão estratégica, vale lembrar que os interesses do Paraná são permanentes, enquanto seus governantes são temporários, passageiros. O Paraná foi construído ao longo de décadas e décadas, com muito esforço e sacrifício. As empresas que Lerner quer privatizar, se de um lado necessitam aprimoramentos, de outro representam precioso patrimônio e orgulham os paranaenses.
Vejamos alguns casos, que se somam à anunciada entrega do Banestado: Copel - exemplo na pesquisa, geração, transmissão e distribuição de energia, superavitária e exportadora (sinônimo de poder em qualquer lugar do mundo); Sanepar - considerada paradigma entre as empresas de saneamento do Brasil e até da América Latina; Iapar - uma das mais importantes e desenvolvidas estruturas de pesquisa agropecuária do País; Emater - indispensável na democratização do acesso ao conhecimento tecnológico e a práticas inovadoras de uma outra política agrícola e industrial; Ipardes - na aurora da era da informação, governo e sociedade precisam de um completo e atualizado sistema de informações administrativas, econômicas, sociais e culturais para melhor ‘‘pensar e agir’’.
Será que aqueles que nos governam não alcançam a ciência de que atuar na desestruturação do setor produtivo paranaense ao desmontar a ativa infra-estrutura pública existente, podem levar ao comprometimento do futuro desejado para nós e nossos filhos, além de alastrar o desemprego e o subemprego? Não terá ficado claro que catástrofe tem sido a submissão ao governo federal (Lei Kandir, FEF, nefastas políticas Agrícola e Industrial)?
O Paraná não pode aceitar o desmonte das riquezas construídas com tantos anos e muito menos que a visão imediatista de um governo, acossado pelo cotidiano e suas dificuldades, constrangido pelo que devia ter feito e não fez, prisioneiro de sua timidez e limitação, venha se sobrepor ao interesse permanente dos paranaenses. Que prevaleçam estratégias a partir do coletivo paranaense! Portanto, que primeiro seja debatido e definido o Paraná que queremos e como chegaremos lá. Só depois podemos nos desfazer ou não de ferramentas resultantes do esforço de gerações e até hoje históricas para nosso desenvolvimento econômico e social.
Nenhum governante tem o direito de colocar o Paraná - nem o Brasil - numa aposta neoliberal que está sendo sepultada em todo o mundo por força de seus resultados desastrosos.
- NELTON FRIEDRICH é presidente estadual do PDT-PR
http://www.pdt-pr.org.br/

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