Nossas crianças e adolescentes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de junho de 2003
Carlos A. C. de Oliveira 
A (in) segurança pública e a participação de crianças e adolescentes em diversos atos violentos geraram muita polêmica em torno da questão do Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente (ECA). Este Estatuto contém o que há de mais moderno e eficiente que uma sociedade poderia desejar para o desenvolvimento e progresso dos seus jovens cidadãos. O grande obstáculo é que a sociedade não está preparada para subsidiar e implementar as transformações que o ECA exige para a sua aplicação eficiente.
Não cabe ao Estado a tutela das ações das crianças e adolescentes, muito menos se não houver uma preocupação real com o desenvolvimento destes jovens. É hipocrisia proibir o trabalho dos jovens na nossa sociedade, muitos representam uma ajuda significativa no orçamento familiar. É fundamental que as crianças e adolescentes possam estudar, ter lazer e usufruir um ambiente familiar saudável e educativo para se tornarem cidadãos, mas a realidade é outra. Cada um de nós sofre as consequências da omissão e da negligência.
Estas questões estão sempre nas conversas populares. Políticas e acadêmicas, precisam ser debatidas realmente, mas também precisam de soluções imediatas. O tempo passa rápido, quanto mais demoramos no discurso, os nossos jovens perdem espaço na cidadania e ganha na marginalidade, deixam de ser tornar ''homens de bem'' para estarem reféns do crime organizado. Todos os marginais, traficantes, criminosos foram crianças, evidentemente.
O Estado não deu suporte para a real implantação do ECA para o qual a oferta de atividades recreativas, sociais, esportivas, educacionais, entre outras, seria fundamental para o desenvolvimento da cidadania em cada uma dessas crianças e adolescentes. É indispensável que a sociedade, através de seus grupos organizados tenha uma visão mais ampla do que significa a interferência de cada um no processo de transformação da sociedade, visando o crescimento desses jovens. O que queremos para os nossos filhos, o futuro que reservamos para eles também depende do que realizamos para os que estão em situação desfavorável na nossa sociedade.
Quando a AABB perpetua os Programas AABB-Comunidade e AABB-Atletismo (programas de apoio às crianças e adolescentes desenvolvidos pela AABB), essa responsabilidade social é assumida. Todas as crianças e adolescentes que envolvemos nestes programas passam a ter uma vivência mais positiva da vida, despertando para as coisas boas e reconhecendo e evitando as situações de risco a que estão expostas, criando o discernimento de que as dificuldades enfrentadas na vida de cada um podem ser modificadas, principalmente pelo esforço próprio e aproveitando também as grandes oportunidades que possam surgir. Não é fácil, mas cada de nós tem obrigação e necessidade de fazer a sua parte.
CARLOS ALBERTO CAVALCANTI DE OLIVEIRA é presidente da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) em Londrina


