Walmor Macarini
Jesus, cujo aniversário celebramos em dezembro, veio em voluntária missão para nos avivar a memória de que somos uma fraternidade, ele incluído, e o sentido metafísico dessa irmandade é que somos originários da mesma fonte, divinos de origem.
E se seus ensinamentos foram o mais marcante registro de sua passagem terrena, Jesus veio também para doar-se, assim como o fizeram outros tantos avatares, antes e depois dele. Também somos caminhantes nesta jornada, e nossa consciência cósmica tem todos os registros do que viemos fazer aqui. Nada que de antemão não soubéssemos e que não pudéssemos suportar. Jesus sempre disse que éramos iguais a ele, e isto ficou consubstanciado naquela sua frase de que o que ele fazia nós também poderíamos fazer, e ainda melhor. Ora, somente na condição de iguais poderíamos fazer coisas iguais.
Ao ancorar aqui, todos estávamos conscientes de que iríamos carregar nossa cruz, e trilhar, cada qual, por caminhos de calvário. Também nós viemos em missão de sacrifício, de purificação e de doação.
A essência do homem não tem uma idade cronológica, portanto cada um de nós é tão antigo quanto a eternidade. A memória dessa realidade apagou-se temporariamente ao ingressarmos nesta densidade, mas de qualquer forma estamos sob a guarda de nosso eu superior, porque somos múltiplos em nossa dimensão extracorpórea. Apenas uma parte de nós está manifestada aqui. Nossa totalidade não é o que vemos ao contemplar nosso corpo físico. O que vemos é o temporal, ilusório; o que não vemos é a realidade, porque nossa realidade é nossa essência. O que enxergamos, em nossa fisicalidade, é o efêmero, aquilo que perece. Tudo o que tem começo e fim é passageiro; mas o que não tem princípio nem fim, isto é eterno.
O envoltório carnal tem a idade de nossos anos, mas nossa essência tem a idade de Deus.
A experienciação terrena, através de tantas passagens por aqui, tem o sentido do reencontro. Quando Jesus disse que tínhamos que nascer de novo referiu-se ao despertamento para a consciência de que, estando na carne, não somos carne, mas espírito. Portanto, viver no pecado, como costumamos nos sentenciar, não é o que se convencionou qualificar de prática do mal ou vivência no mal, eis que o mal não existe na consciência de Deus, e portanto não existe como verdade. É manifestação da carne e dos sentidos, e por isso sua existência é ilusória. Viver no pecado significa viver sob o véu da sombra; significa viver na ignorância acerca de nossa realidade superconsciente, viver no encobrimento. E pecado – palavra tão erroneamente empregada e erroneamente entendida – quer, literalmente, dizer encobrimento, ocultação da luz.
Ao aportar aqui na tridimensionalidade da matéria caímos no encobrimento. O redespertar, através de nossa própria busca e do entendimento, é parte desse processo de reascensão. Jesus nos disse que quando conhecermos a verdade nos tornaremos livres; melhor dizendo, retornaremos à liberdade, pois somos originários da plenitude da luz e para lá regressaremos, em menor ou maior tempo, dependendo do grau de evolução de cada um. Despertar para essa compreensão é o real sentido do nascer de novo. Nossa consciência superior sabe das razões por que estamos aqui.
Jesus nos ama, sim, porque conhece a realidade da vida neste plano físico, e conhece também os anseios, as tentações, as fraquezas e as dores da carne. Por isso veio sofrer conosco o que sofríamos, e este foi um de seus maiores legados à humanidade. Jesus sabe de nossos compromissos terrenos, de nossa missão nestas profundezas da materialidade. Sua vinda foi para nos ajudar nessa jornada e beber conosco do amargo deste cálice.
O amor – o amor que estava em Jesus quando conviveu conosco, o amor que está em nós, o amor presente em todas as coisas ‘‘do céu e da terra’’ – não é necessariamente um sentimento, mas a vibração magnética de uma força que abarca todo o universo e na qual estamos todos envolvidos, interagindo com ela.
Nós, e tudo o que é e está, compomos esse infinito campo vibracional que se denomina Reino de Deus. E o que é Deus? Não uma divindade, não um ser que tenha imagem e que se manifeste individualmente, mas Deus Pai-Mãe, a Grande Fonte, a Totalidade, o Absoluto, a Consciência Cósmica, a Mente do Universo, Tudo o Que é e Existe. A denominação que se queira dar.
Em nossa dimensão terrena, mergulhados na fisicalidade, perdemos a memória de nossa origem e de nossa condição divina. A crença em um Deus distante, habitando ‘‘lá em cima’’ e nós ‘‘aqui embaixo’’, tem obstruído o avanço para a compreensão de nossa espiritualidade e de nossa eternidade.
Somos partículas de Deus e carregamos em nós todos os atributos de Deus. Como a gota é o oceano, e o oceano é a soma de todas as gotas. Somos a individualidade e somos a totalidade. Somos o micro e o macro. Compomos a supraconsciência universal.
Somos o universo. Somos a soma.

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