Já escrevi estas coisas mas volto a elas, porque um ano novo começa e uma boa atitude é nos livrarmos das velharias. Se uma coisa não foi usada por nós durante todo o ano de 97, com toda certeza não iremos usá-la em 98. Então vamos passá-la adiante: doando-a, vendendo-a ou jogando-a no lixo para que seja reciclada. Se for uma coisa danificada e pretendemos doá-la a alguém que precise e aceite, melhor é consertá-la primeiro, senão vamos onerar essa pessoa com gastos. Mas limpar nossos armários não é fazer dos outros o depósito de nossos lixos. E, doar coisas que não usamos mais, não invalida presentearmos as pessoas com coisas novas.
Aproveitando a oportunidade, vamos também limpar nosso armário mental, esvaziando-o dos ressentimentos do ano que passou e dos anteriores. Podemos dedicar um pedaço de hora para um balanço, com o propósito de perdoar tudo, pedir desculpas a quem magoamos, e, sobretudo, nos perdoarmos a nós mesmos. Nunca pronunciar ‘‘não me perdôo’’ por isto ou aquilo, porque aí armazenamos essa coisa em nosso inconsciente e ela ficará lá, como um ácido corrosivo. E só dizer simplesmente ‘‘eu já esqueci’’ pode não significar havermos perdoado, mas apenas esquecido pela memória consciente. Uma boa prática é retroceder mentalmente ao momento em que agredimos, magoamos ou tenhamos desejado mal a alguém, e eliminar isto ‘‘naquela precisa hora’’ em que sucedeu, fazendo que tudo volte ao nada. Porque tudo o que deixamos mal resolvido fica alojado em nosso inconsciente, transformando-se em colônia fértil para as angústias.
Neste ano novo não devemos ter medo de ir buscar todas as coisas boas, porque elas já existem para nós, e nós as merecemos. Não há mal em querer o melhor, desde que o façamos sem prejudicar a outros e sem ambições egoístas de superioridade. O mal está no conformismo com a pobreza indolente.
Não temos que lamentar por havermos perdido algo neste ano que passou, porque se tal aconteceu foi para abrir espaço a coisa nova que está para chegar. Pessoas queridas que se foram do nosso convívio, não as perdemos, porque elas vivem em nós e ainda nos reuniremos a elas.
Temos que nos colocar em atitude receptiva, em todos os momentos, prontos para receber tudo aquilo de que necessitamos. Não precisamos pedir, só dar graças por todas as coisas já serem e estarem. Prontas para nós. Às vezes demora um pouco, segundo nossa intensidade de fé. É como a fermentação que faz o pão crescer. É mais lenta ou vai mais rápida dependendo da quantidade do fermento e da farinha... Mas está lá, crescendo, até que se manifeste na plenitude.
Temos um banco mental onde estão guardadas todas as nossas fortunas. De vez em quando é bom colocar uns depósitos, e isto podemos fazer proporcionando momentos bons aos outros, através daquilo que fazemos melhor e que pode ser apenas uma palavra de apoio e incentivo.
Se tudo já temos muito fácil - basta crer - da mesma forma temos que tornar indolor o desprendimento das coisas. Sem apego. Tudo já é e está, é nosso e é de todos. Se pegamos o dinheiro mas não o gastamos, ele não faz o seu giro e não exercerá sua função de gerar mais riqueza. E ao invés de correr atrás dele, melhor é ir ao seu encontro... Se afirmamos que o ‘‘maldito dinheiro’’ é a causa de todos os males, então estaremos colocando adubo nessa idéia, e maldito o faremos. Mas se imaginarmos que dinheiro é de Deus, que é bendito e que tem semeado bem-estar para a humanidade, isto será mais verdade que o inverso. Porque - e várias vezes escrevi isto - riqueza não é coisa impura, e se impureza há, será nos métodos que utilizarmos para angariá-la e no emprego que fizermos dela. Riqueza que se busca por meios ilícitos ou injustos, e para acumular, não é boa; mas aquela que se quer para semear mais riqueza, esta é de Deus. E não é Dele, com toda certeza, a pobreza filha da indolência e do conformismo.
Neste 98 que se inicia vamos nos regozijar pela riqueza e pelo sucesso dos outros, porque se nos sintonizarmos com estas coisas, as atrairemos. Mas se as odiamos nos outros, então não gostamos delas e elas se afastarão de nós.
Quando mentalizarmos o bem para os outros devemos mentalizá-lo também para nós. Porque temos uma responsabilidade conosco e não é egoísmo que nos cuidemos. Se vejo um carro de qualidade na vitrina e preciso dele, afirmo: ‘‘Isto é para mim’’. É um erro, sobretudo os pobres (mais pobres mentais que reais) viverem decretando que as coisas boas do mundo não são para eles. Aí as afastam. Preferem odiar os que as possuem, e com isto consomem mais energia do que se admitissem que aquelas coisas são também para eles, sim! Há pessoas que se comprazem quando os ricos caem em desgraça. Porque carregam em sua natureza interior os germes da pobreza espiritual. E de nossa parte, não devemos menosprezar estas pessoas, mas desejar que se iluminem. Porque a caridade maior não é a que fazemos para os bons e humildes, mas para esses mais rudes e ignorantes.
Vamos começar o ano novo dispostos a mudar, para melhor, dizendo a nós mesmos que, pela graça de Deus, somos competentes e capazes. A auto-valorização abre portas! Porque o homem não tem limitações. Vamos criar em nossa mente coisas que nos façam felizes. Abençoando nosso emprego, nosso negócio, a vida que pulsa. Os ingredientes do sucesso estão todos dentro de nós!

mockup