Nós e as superbactérias
As superbactérias - organismos unicelulares resistentes a potentes antibióticos - estão presentes em muitos hospitais país afora. Estes micro-organismos são responsáveis por infecções oportunistas que atacam com maior voracidade pacientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), vítimas de doenças graves, já muito debilitados e com as defesas imunológicas totalmente abertas.
Entre 2009 e 2010, quando estouraram surtos de superbactérias em diversos estados, incluindo o Paraná, os hospitais tiveram que interromper o atendimento para evitar que os casos fugissem do controle. Todos os pacientes colonizados (que apenas tinham a presença de organismos multirresistentes sobre a pele) e infectados (que já apresentavam quadro de infecção hospitalar) tiveram que ser isolados para que todos os setores com presença de superbactérias pudessem ser desinfectados.
Numa reação em cadeia, a absorção da demanda nos pronto-socorros destes hospitais também teve que ser interrompida, já que não se podia correr o risco de mais pacientes serem contaminados. Além de todo o transtorno da medida, a população de um modo geral ainda passou a ter que conviver com a dúvida: qual o risco de ser contaminado por superbactérias ao dar entrada em algum hospital?
Para acalmar as pessoas e garantir que as superbactérias passassem a ser monitoradas mais de perto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu protocolo, em outubro de 2010, que exigia que todos os hospitais notificassem os casos de micro-organismos multirresistentes.
No entanto, quase um ano e meio depois, conforme a FOLHA denunciou em reportagem do último domingo, muitos hospitais paranaenses não cumprem a exigência da Anvisa e ignoram o risco representado por organismos multirresistentes. As próprias autoridades da área de saúde pública chegaram a admitir que os casos - não informados ao jornal - não correspondem à realidade. Ou seja, a situação parece continuar tão sem controle quanto antes dos surtos.
Deste modo, continuamos todos sem saber qual o risco efetivo de contaminação por alguma superbactéria em um ambiente hospitalar. Cobrar uma resposta não é exigir mais do que já preconizam os órgãos de fiscalização, que até o momento também têm se mostrado pouco sensíveis ao problema.





