NORTE PIONEIRO - População rejeita presídio
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quinta-feira, 15 de março de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O município de Jacarezinho acalenta vários sonhos: implantar a Universidade do Norte Pioneiro (Uenp); atrair indústrias e se desenvolver econômicamente. Entre os sonhos, porém, não está a instalação de uma grande penitenciária - afirmam representantes de entidades de classe, frente às tratativas da prefeitura e do governo do Estado, para instalação de um Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), com vagas para 960 presos condenados. A seguir, a opinião do vice-presidente do Sindicato Rural de Jacarezinho, João Batista Calomeno.
Como a cidade recebeu a notícia do presídio?
Foi um impacto muito grande em toda a população, porque o assunto não foi divulgado pela prefeitura. Ficamos sabendo pela imprensa. Daí, várias entidades se reuniram para montar uma comissão e conversar com a prefeita. Ela estranhou, porque achou que era uma coisa normal, que todo mundo ia aprovar. Mas quase toda a cidade se manifestou contra e sugeriu que seja feito um plebiscito para a comunidade decidir.
Por que a cidade é contra?
Jacarezinho fica à beira da BR-153, que corta o Brasil todo. O presídio tem que ser em locais mais isolados. Além disso, a unidade seria feita ao lado do nosso parque industrial. Ficaria muito negativo ter um presídio ali. Não sei se algum empresário construiria mais algum empreendimento nas proximidades de um presídio. Jacarezinho está quase concretizando o sonho de ter uma universidade. Precisamos trazer para cá mais estudantes, indústrias e empregos, e não uma cadeia.
O senhor fala isso pensando na possibilidade de uma rebelião...
Pensar que uma rebelião não vai acontecer é sonhar. É só ver aí. Esses dias mesmo houve uma manifestação em todos os presídios do estado de São Paulo, no mesmo momento. No Brasil, não conseguem segurar os presos nem nos presídios de segurança máxima. Já vi padre virar bandido, já vi juiz virar bandido, mas nunca vi bandido virar padre nem juiz. É difícil para nós.
A secretaria estadual de Justiça disse à FOLHA que o presídio é um ''pleito'' da prefeita Tina Tonetti (PT). Ela está disposta a fazer uma consulta popular?
Ela disse que ainda não havia nada de oficial e que aguardaria um comunicado do governo. Mas acho que se ela quisesse acatar a opinião da comunidade, já poderia chamar o plebiscito antes de vir oficialmente alguma coisa. A princípio, vejo que ela está mais propensa a que se concretize o projeto.
O governo alega que a instalação de presídios também gera benefícios à comunidade, porque faz aumentar a circulação de policiais, a arrecadação de impostos, e aproxima o contato entre o preso local e sua família...
Isso é relativo, atrás de um presídio vêm muitos problemas e poucos benefícios. Existem muitas famílias boas (com parentes presos), mas geralmente, por mais que o presidiário seja de alta periculosidade, a família sempre acha que ele é um santinho, que é vítima. Essa é a preocupação nossa. De repente a pessoa está transitando pela BR, precisa achar um hotel para pousar, você acha que vai pousar perto de um presídio?
O senhor disse que, se fosse uma cadeia de âmbito regional, poderia mudar de opinião...
A preocupação maior é pelo volume de presos. Da maneira que está sendo conduzido, provavelmente teremos detentos de todo o Paraná e até de outros estados. Em Jacarezinho, temos hoje 49 presos. Então, se fosse uma cadeia para suprir as nossas necessidades, com até cem presos, acho que seria aceitável. Trazer 960 detentos de fora para nossa cidade é um absurdo.


