Norte do PR é rota do tráfico de animais
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sábado, 03 de maio de 2003
Adriana Savicki<BR>Reportagem Local 
Vizinho de três países e beneficiado por dois portos, um aeroporto internacional e uma infinidade de rios navegáveis, o Paraná está se tornando um pólo importante no esquema de tráfico de animais silvestres. A conclusão é de uma dissertação de mestrado defendida, na semana passada, junto à cadeira de Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O estudo aponta que a região norte é passagem de uma das rotas mais utilizadas pelos traficantes.
Das 25 grandes apreensões de animais realizadas nos últimos quatro anos no Estado, nove foram na região norte. Segundo a autora da dissertação, a pesquisadora Erica Tangerino Hernandez uma advogada que já foi militante ecológica e trabalhou no SOS Vida Animal , os animais capturados no Parque Estadual do Iguaçu passam pelo norte com destino a São Paulo e Rio de Janeiro.
''Os papagaios comprados em Foz por R$ 20 a R$ 30 são vendidos por até R$ 500 nesses lugares. Por isso, até sacoleiros levam esses animais'', afirma. A maior concentração de apreensões também é creditada a proximidade com o Parque Nacional da Ilha Grande, no noroeste, onde animais também são capturados.
Outro ponto de escoamento é o Porto de Antonina. ''Ali também encontramos outra área de coleta, o Parque Nacional do Superagui'', acrescenta. Para delimitar os mapas do tráfico, Erica cruzou dados de órgãos ambientais e matérias publicadas na imprensa nacional e local, inclusive da Folha de Londrina. Durante o processo, ela se deparou com a precariedade dos órgãos públicos.
''É impressionante a falta de informações dos órgãos, eles não têm uma sistematização do comércio ilegal, e a quantidade de fiscais e recursos é irrisória'', afirma. As informações levantadas por ela devem virar um livro, cuja edição está sendo negociada.
Para Erica, a falta de fiscalização e o relaxamento das penas por crime ambiental incentiva criminosos de outros setores a aderirem ao tráfico de animais. ''O que percebemos é que o tráfico de animais sempre se une às rotas das drogas, armas e contrabando. Prova disso é que a polícia já chegou a encontrar cinco quilos de cocaína dentro de uma jibóia'', diz a advogada.


