O que será um noitibó? Essa discussão é a que menos interessa na rua que leva o polêmico nome, na Vila Yara (zona leste de Londrina). O desafio é descobrir se o logradouro chama-se Noitibó ou Naitibó. O aposentado João Bueno Filho, 67 anos, que mora há 26 na última casa da via, diz que a primeira alternativa é a correta. Para comprovar, mostra dezenas de contas e extratos que trazem a grafia. Só o registro do imóvel, que registra ''Rua Noitiba'', destoa.
E a placa afixada na parede de sua residência traz Naitibó, denominação defendida pelo seu vizinho de porta, o aposentado João Batista dos Santos, 65. ''Aqui é Naitibó, como estão escritos em todos os meus documentos. Já mandei trocar na prefeitura. Mas não fizeram nada. Se o João acha que é Noitibó, o problema é dele'', sustenta Santos, que mora desde 1957 no local. Assim como o xará vizinho, não sabe o que significa o nome de sua rua.
Já Margarete Nascimento, 36, que cresceu na primeira casa da rua, diz que, até onde sabe, é um nome ''de índio''. ''Fui comprar numa loja, dei meu endereço, e alguém falou isso'', relembra. Assim como as vizinhas Flamengo, Suindara e Aratinga, Noitibó é o nome de uma esperta ave que caça do fim do dia ao início da manhã. No Brasil, o membro da família Caprimulgidae, que vive camuflado no meio das folhas, é mais conhecido como bacurau.
O dicionário Aurélio também diz que o noitibó é aquele sujeito pouco sociável, que só aparece à noite. Margarete garante que na rua não tem nada disso. ''Aqui é bem tranquilo de noite, viu?'', avisa. Já de dia, a discussão sobre a própria denominação do logradouro é suficente para esquentar o clima.

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