Com a derrota no Rio Grande do Sul, o Partido dos Trabalhadores perdeu a sua fortaleza há 15 anos. O governo gaúcho foi conquistado por Germano Rigotto, do PMDB, sobre Tarso Genro, do PT. Durante a gestão do PT no Rio Grande do Sul, Porto Alegre se tornou ponto de referência da esquerda mundial e do movimento contra a globalização, ao ser escolhida como sede permanente do Fórum Social Mundial, uma alternativa ao Fórum Econômico de Davos (Suíça). Apesar da ampla vitória de Lula nas eleições presidenciais, o PT não obteve o mesmo desempenho com seus líderes regionais.
A vitória de Rigotto devolve ao PMDB a hegemonia no Estado e recoloca o partido como uma das duas grandes forças no tabuleiro político gaúcho, posição que esteve ameaçado de perder enquanto o ex-filiado Antônio Britto, agora no PPS, liderava as pesquisas eleitorais. Antigos inimigos, como o PPB e o PDT, e partidos de pequena estrutura no Estado, entre os quais o PSDB, o PFL e o PPS, foram atraídos como forças coadjuvantes para a órbita do PMDB. A outra grande força é o PT, que, mesmo não reeleito, assumirá a condição de referência da oposição no Estado. Graças ao desempenho de Rigotto nesta eleição, o PMDB se qualifica como um dos dois grandes partidos gaúchos e referência nacional.
Para o cientista político Flávio Eduardo da Silveira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a vitória de Rigotto torna o PMDB gaúcho uma referência nacional, sobretudo porque o partido está fragilizado em São Paulo, Minas e Rio. Uma derrota levaria o partido a uma oposição sistemática ao PT no Estado, para manutenção de um espaço político. Para o PT, a vitória seria consagradora. ''O PT já passou por situações difíceis, com especulações de que poderia se dividir, e sempre administrou bem seus conflitos'', avalia.

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