A vitória do nosso presidente foi um marco na evolução democrática, em nosso país. Sabemos que o poder corrompe, ninguém é incorruptível. O poder domestica, ninguém consegue vergar sem com ele compactuar. Nosso presidente está sentindo isso em sua própria carne. Não que ele seja o malfeitor, mas, sim, as pessoas que o assessoram. Por mais que ele (Lula) seja firme e íntegro, em sua personalidade, ele observa a vulnerabilidade e a destrutibilidade dos que compõem e/ou fazem parte do poder.
Em um primeiro aspecto, o poder gera solidão. Não poder participar da sociedade choldra é difícil. Os donos do poder estão sempre rodeados de gente, assessores, técnicos, aliados e inimigos, enfim, pessoas que fazem parte do sistema diretivo e que tomam decisões. Chega o momento em que há a necessidade de decidir-se sozinho. Pelo sim ou pelo não, haverá a hora em que terá que mergulhar no labirinto do poder, enfrentar e vencer o medo de errar, sem precisar repartir culpas e consequências desagradáveis com os outros.
Um segundo aspecto, o poder é um lobby de lama. Funciona como armadilhas, muitas vezes irreversíveis. As difamações agressivas impulsionam um processo unilateral de agressões de quem está ou esteve no cume do poder e decide que pode falar por todos. Por isso, quando a pessoa se agrega ao poder, como uma constante, perde a postura e a compostura. Poucos escapam dos instrumentos que o poder lhes oferecem e partem para o ataque pessoal. As marcas dessas experiências estão sendo visíveis no atual governo.
São tão verdadeiras as colocações feitas acima, que nosso presidente, vendido como light, começa a mostrar sua verdadeira identidade.
Com a popularidade em queda, classificou os ex-presidentes de covardes. Após onze meses de reinado, está na hora de começar a mostrar a que veio, ou seja, mostrar algo novo, pois o que aí está faz parte dos governos ''covardes''. O interessante disso tudo é que dois ''ex-covardes'' classificação do Lula fazem parte do seu governo. Um, inclusive, funciona como uma espécie de ''guru'', ou seja, tudo passa pelo seu crivo, para posteriormente ser aceito pelo governo. Coisas da modernidade!
Uma pergunta: será que um governo com quase um ano no poder e que nada fez, tem o direito de qualificar alguém como covarde? Pois, como podemos observar o desemprego aumentou, a corrupção idem, o salário continua o mesmo em termos reais , a insegurança é constante, etc, etc, etc.
Olha presidente, a plebe que votou no senhor, com toda certeza, não é covarde, pois consegue sobreviver com esse salário miserável que o senhor prometeu mudar, mas nada fez.
As marcas dessa experiência, que é o poder, são visíveis. Percebemos que a figura do senhor presidente sofreu uma mudança considerável. Ou seja, o poder modifica, mesmo sendo uma rocha firme, como vossa excelência.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

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