Pela falta de acusações mais consistentes de parte a parte, expressões novas estão surgindo no segundo turno da campanha eleitoral no Paraná. Como os dois candidatos a governador se equivalem em certos atributos de rusticidade, eles começaram a se atacar mutuamente por essa via. Osmar Dias afirma que Roberto Requião ''é truculento'' e que ''mente quando fica irado'', e Requião revida que Osmar ''é muito mais rústico do que aparenta''. Quem assiste ao espetáculo verbal - que é de baixa periculosidade diante das histórias escabrosas de escândalos no meio político nacional - mais se diverte do que se incomoda, embora apreciasse que os dois adotassem linguagem mais ''light'' e falassem de seus programas de governo. Mas esperar dos dois uma fala mansa e dócil, como regra, parece missão impossível, pois fere a natureza de ambos. Os destemperos verbais de Requião são conhecidos Brasil inteiro, e retirá-los de sua personalidade seria descaracterizar sua fisionomia política. Se isto é um defeito ou uma virtude - porque algumas de suas tiradas são ferinas e têm verdades implícitas - é algo que, com toda a certeza, ele próprio não pretende mudar. Osmar Dias se embraba facilmente, sem as sutilezas irônicas do adversário. Requião fala por parábolas, vale-se de adaptações de ditos populares; já Osmar é direto, sem metáforas e nem adornos verbais. Questão tão secundária quanto esta é levantada neste espaço para mostrar o aspecto folclórico das campanhas, e porque foram eles - Osmar e Requião (ou Requião e Osmar) - que começaram a jogar no ar essas pérolas. Com um ou outro tomando assento no trono a partir de 2007, essa posição não os fará delicados quando algum escorpião aferroar seus calcanhares. Ambos têm jeito de Paraná, assim meio rural no interior e com certos ranços de província na capital, o que no conjunto não forma propriamente uma civilização de apurado refinamento. Os dois candidatos são, portanto, egressos do meio, embora o Paraná já tenha conhecido governadores de fala serena, reverentes, bons articuladores e jeitosos no trato. Mas não será desta vez que o primor da finura e das boas maneiras fará escola, nem na campanha e nem na câmara real do Palácio Iguaçu. Os debates ''olho no olho'', de que eles falam como a hora da verdade, não irão mudar o tom candente das palavras desses dois políticos, porque se isto acontecer, não serão eles. Portanto, que o façam segundo seus costumes - porque agora é tarde para mudá-los - mas cada qual que diga por que quer governar o Paraná nos próximos quatro anos e o que tem a oferecer à população. Se eles pedem o voto, precisam dizer o que darão em troca.

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