Carros com mais de 11 anos de fabricação respondem hoje por mais de um terço (35%) da frota nacional de veículos de passeio e comerciais leves, segundo dados divulgados no final do ano passado pelo Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).
Em todo o Brasil mas sobretudo na periferia dos grandes centros urbanos há aproximadamente 6,8 milhões de carros considerados ''velhinhos''. Em São Paulo, a frota é relativamente mais nova que no restante do País. Automóveis produzidos até 1985 significam 18% dos que rodam na cidade, de acordo com a AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).
Enquanto projetos como o de renovação da frota não saem do papel e a inspeção veicular não se intensifica, os transtornos que os carros velhos causam pelas ruas do País inteiro não são poucos. Vão do trânsito pesado ao alto índice de emissão de poluentes, passando pela dor no bolso dos próprios donos dos carros que gastam muito com o consumo de combustível e com reparos frequentes na parte mecânica e elétrica dos veículos.
Geralmente, os proprietários de carros com muitos anos de uso e malconservados estão habituados a paradas imprevistas no meio da rua, panes elétricos e ''empacadas'' súbitas. Por isso, muitos carregam uma pequena oficina no porta-malas, com arame, alicate, chaves de vela e de fenda, água para o radiador. A ameaça do motor fundir é sempre presente.
A única e real vantagem dos donos de ''velhinhos'', que correm o risco permanente de serem parados pela Polícia e verem os seus objetos de estimação apreendidos, é a absoluta tranquilidade com os ladrões. Esses veículos dispensam completamente o arsenal de segurança de que os novos não podem prescindir, como alarmes, travas e seguro.

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