A carta do leitor Sérvio Borges da Silva (opinião/3 de junho) criticando decreto que concede benesses para jogadores de três Copas do Mundo, leva a uma reflexão sobre a lucidez e a capacidade administrativa dos políticos brasileiros. Muitos deles até evoluem enquanto indivíduos. Mas, nem tanto como gestores porque fazem de suas administrações uma obra efêmera e de modestíssimo alcance social. Nos Estados - incluindo, sem dúvida, o Paraná -, festejam-se inaugurações (algumas mais que uma vez) de pequenas melhorias que, em outras épocas, não mereciam nada além de um destaque em relatório de prestação de contas. Obras cantadas em prosa e versos na verdade são meras melhorias de rotina; não chegam a ser desprezíveis mas também não impressionam. Não há mais grandes obras capazes de marcar uma administração. O que marca são atitudes polêmicas e estéreis, para não falar de corrupção. Sobram marketing e demagogia. Faltam atitude, ousadia e seriedade.
No âmbito federal maximizam pequenas ações como se fossem grandes feitos e como se estivessem descobrindo tudo agora. E dá-lhe marketing. Determinadas obras, puramente eleitoreiras, são consagradas pelo poder da propaganda.
Mas, o pior mesmo é quando se chega no ponto criticado pelo leitor: ''O governo enviou um projeto de lei ao Congresso concedendo um auxílio mensal de até R$ 3.415 e uma premiação de R$ 100 mil aos jogadores campeões das Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970''. Quando se fala em involução de costumes, em falta de mudança de mentalidade é porque atitudes como essa nos colocam no mesmo padrão demagógico de Paulo Salim Maluf, então governador de São Paulo, que gratificou os jogadores com um Fusca cada. E, já naquele tempo, teve problema com a Justiça. Mais de 40 anos atrás!
Com relação ao projeto de lei: se a intenção é tirar alguns desses heróis de eventual dificuldade - atitude plausível - então que se inclua, através de criterioso estudo, também atletas de outras modalidades que façam jus ao benefício. E que não sejam apenas os desportistas, mas cientistas, professores, enfim, pessoas de comunidades carentes, detentores de trajetórias comunitárias. Bombeiros que salvaram vidas. O Brasil tem muitos cidadãos e cidadãs que se destacaram e estão esquecidos. Façamos justiça com todos. Agora, na esteira do clima de Copa do Mundo, qualquer coisa que se faça para um determinado grupo, ainda que merecido, não passa de demagogia e oportunismo para campanha eleitoral. Entendemos ser isto que o leitor contesta.

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