Leonardo Gonçalves Raphaelli, 21 anos, acadêmico do terceiro ano de Direito, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Aparentemente, mais um estudante dedicado às apostilas em busca de colocação no mercado. Quando feitas as apresentações, o rapaz, que já morou um ano na Austrália e quatro meses nos EUA, demonstra, claramente, aquele que em muitos casos consta no primeiro parágrafo de requisitos para se inserir no mercado: o domínio do inglês.
''Estudo inglês desde os 7 anos de idade e as viagens ao exterior me ajudaram muito, pois afiei ainda mais o idioma e, para a área que pretendo atuar, a fluência é essencial'', revela o rapaz, que quer advogar em direito comercial e internacional.
Entre os recentes exemplos do quão importante o idioma foi - e é - em sua trajetória, Leonardo relembra da seleção para o intercâmbio de dezembro a abril últimos, em Nova Jersey (EUA). ''Estava em um grupo de cinco pessoas a serem selecionadas, pela entrevista, toda em inglês. Por falar fluentemente, acabei conquistando a vaga''.
Na Terra dos Cassinos - como é conhecida Atlantic City, onde ele trabalhou -, mais êxitos. ''Trabalhava com um grupo de 15 pessoas, todos norte-americanos. Por conta da fluência, fui promovido, ficando em contato direto com o público''.
Com intenção de após a faculdade se dedicar a uma pós-graduação na Europa, Leonardo, além de manter o inglês afiado, investe no alemão e francês. ''Não podemos parar. Agora estou aprendendo os dois idiomas e já cursei espanhol. O inglês, também não deixo de treinar, pois, numa escala de um a dez, estou entre oito e nove. As novidades não param''.
Preparo - Para a coordenadora do departamento pedagógico de uma escola de línguas de São Paulo, Vera Laurenti Bianchini, o exemplo de Leonardo vai ao encontro das necessidades de mercado. ''Não se trata de um 'plus', o inglês é nossa segunda língua''.
Outro dado importante, ressaltado por Vera: as empresas não procuram por um dicionário ambulante. ''A exigência de mercado é para quem tenha fluência e desembaraço no idioma, para que não cometa erros que possam dar margem a mal-entendidos''.
Para aprimorar o inglês ''macarrônico'' ou aprender a língua, a coordenadora enfatiza que não existem fórmulas milagrosas. ''É tudo uma questão de se programar. Não adianta estudar um ou dois meses antes da entrevista: geralmente o que é levado em conta é a conversação e o inglês rápido é efetivo para provas, ou seja, a parte escrita'', sublinha (confira dicas no quadro ao lado).
Uma vez preparado e aprovado, outra ressalva: jamais parar. ''As empresas buscam por pessoas que não parem de se aprimorar''.
Exames - Gerente de marketing da Cambridge Esol no Brasil, Helena Nagano, sublinha que, tanto para se obter as primeiras oportunidades de programas de trainees quanto para as cobiçadas promoções, que alavancam a carreira, o inglês é essencial. ''Não se pode chegar a uma posição mais alta se não se tem o conhecimento da língua: o inglês deixou de ser um diferencial. É pré-requisito''.
Nesse contexto, Helena, que acredita que faltem políticas públicas de incentivo ao inglês no Brasil, - como Chile e Colômbia já o fazem, com o projeto ''Inglês Abre Puertas'' -, cita os exames de Cambridge.
''Os exames dão a chancela de que você de fato sabe inglês. Mais que dizer que se sabe, é preciso atestar. O certificados, nesse sentido, colaboram para que metas e objetivos sejam traçados'', conclui.

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