NO LIMITE - Vai faltar sangue!
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quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O médico Jorge Tadeu de Assis, hematologista do Ihel, maior hemocentro da região, diz que não há estoque de sangue. Se ocorrer tragédia, pode faltar, afirma. Reserva que deveria ser de 1.000 bolsas de sangue não passa de 40 ou 50 no final do dia
O doador chega, é rapidamente atendido, conversa com a enfermeira, com o médico e termina comendo um gostoso misto quente com suco de fruta. Em meia hora fez seu papel e ofereceu um pouco de seu sangue para salvar vidas de outras pessoas - entre acidentados de trânsito e todo tipo de paciente que passa por uma cirurgia de emergência.
Esse é o dia a dia do Instituto de Hematologia de Londrina (Ihel), entidade privada que responde por 75% da coleta de sangue na região. O Ihel recebe 2.700 doadores por mês - três vezes mais que o hemocentro do Hospital Universitário (HU) -, e realiza o fornecimento de sangue à Santa Casa, ao Hospital do Câncer e Hospital Evangélico, entre outros.
Metade dos doadores registrados pelo instituto são voluntários e o restante é formado por familiares e amigos de pacientes. Além dos benefícios humanitários, a doação de sangue inclui gratuitamente a realização de exames para detecção de doenças transmitidas pelo sangue e pode até ajudar a prevenir algumas patologias - explica em entrevista à FOLHA o médico hematologista do Ihel, Jorge Tadeu de Assis.
A doação está estável?
Olha, depende muito do número de cirurgias e da necessidade dos hospitais. Nos finais de ano sempre aumenta o número de cirurgias de emergência porque tem mais acidentes, mais violência e mais pessoas baleadas. Ao mesmo tempo em que isso acontece, há redução de doadores porque boa parte da população sai de férias, viaja ou prefere não fazer a doação nessa época. No período do natal e da virada de ano sempre aumenta o número de transfusões e diminui o de doadores.
Há estimativas sobre o percentual de doadores?
Se 2% da população doasse sangue de uma a duas vezes por ano, não faltaria sangue, mas hoje, na nossa região, menos de 1,5% da população doa sangue. Nos países de primeiro mundo, por exemplo, 5% da população doa e por isso não há falta sangue. São voluntários, nunca você precisa dizer para os familiares dos pacientes trazerem doadores, lá as pessoas já são conscientes de que devem doar sangue. Isso está melhorando muito no Brasil mas ainda não é o ideal.
Quanto tempo leva entre a coleta e a transfusão do sangue?
Atualmente nós coletamos sangue hoje para transfundir amanhã. Então, vamos supor, se acontecer uma catástrofe, ou um grande acidente, talvez a gente não tenha uma quantidade suficiente para atender porque não temos estoque. O certo é você ter hoje 1.000 bolsas de sangue em estoque, e ficamos com apenas 40 a 50 no final do dia. No dia a dia, a situação é administrável porque nós vamos atrás do doador, temos duas unidades móveis de coleta, vamos nas empresas, fábricas, em cidades da região, para suprir. Se parar, falta sangue.
Como é para o doador?
Praticamente indolor, não tem nenhum tipo de risco nem alteração no organismo. A única diferença, segundo alguns trabalhos americanos, é que o doador de sangue é propenso a ter menos doenças obstrutivas, como AVC, derrame, infarto e trombose. Então, o que há de diferente é um benefício, não um problema.
Qual a quantidade de sangue de uma pessoa?
Em um adulto, 8% do peso é sangue. E ela pode doar até 10% do volume. Então, por exemplo, uma pessoa de 80kg tem 6,4 litros de sangue no organismo, e ela pode doar 10% - 640 ml no máximo. Mas a quantidade máxima que se coleta é 450 ml.
Quem não deve doar?
Pessoas com menos de 50kg não podem ser doadores de sangue, menos de 18 anos e acima de 65. Também se restringe os usuários de drogas. O álcool tem que ter um período de 24 horas de intervalo, seis meses para maconha e um ano para derivados da cocaína. O cigarro é permitido, não existe estudos sobre eventual malefício ao doador.
* Serviço
O Ihel fica na av. Souza Naves, 667
Fone - 3323-0158


