Quando através do Plano Real o presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu vencer a inflação, o pior dos males que afligia sobretudo os mais pobres e os assalariados de classe média, sem dúvida agiu como estadista. Na verdade, com esta conquista, que foi de toda uma nação, o presidente pavimentou o caminho de uma nova era que aos poucos vai surgindo para o País. E apesar dos nossos imensos problemas acumulados durante séculos e originados historicamente, com a estabilização da economia aumentou o nível de vida da população, que passou a consumir mais bens e serviços, iniciando-se dessa forma uma melhor distribuição de renda.
Agora, com a privatização do Sistema Telebrás, vislumbra-se nitidamente o limiar de uma era de progresso e desenvolvimento, e o orgulho de ser brasileiro poderá deixar de se apoiar apenas no futebol porquanto outros tipos de valor e outras vitórias nos estão reservadas.
Observe-se ainda, que o leilão do Sistema Telebrás realizado nesta última quarta-feira revestiu-se de êxito total, em que pese as forças do atraso capitaneadas pela Frente de Esquerdas da dupla Lula/Brizola (candidatos respectivamente à presidência e à vice-presidência da República), terem novamente encenado seu desgastado espetáculo tingido de vermelho de bandeiras e bonés, diante da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
A baderna, a violência, as pauladas e pedradas dos manifestantes em meio dos quais se encontravam os indefectíveis sem-terra e os sindicalistas da CUT, que agrediram não só os policiais mas a população, de nada adiantaram. Levado a efeito com impecável lisura, o resultado do leilão surpreendeu a todos, pois a venda do Sistema Telebrás, que foi dividido em 12 empresas, alcançou preço superior a R$ 22 bilhões, sendo que o ágio médio atingiu 63,7%.
Conforme um dos editoriais de ‘‘O Estado de S. Paulo’’ de 30 de julho, ‘‘a importância do leilão mede-se sobretudo pelo fato de representar a linha divisória entre o passado - em que prevaleceu o regime de monopólio estatal, que com sua ilimitada ineficiência deixou o Brasil com muitos anos-luz de atraso em relação aos países modernos - e o futuro - o regime de concorrência, que permitirá que esse atraso seja superado a curto prazo’’.
Como resultados positivos dessa privatização - legado do ministro Sérgio Motta que em vida dedicou todo seu empenho na realização deste ideal - podem-se contar inúmeros benefícios para o País como um todo com o aumento de receitas, e para cada usuário em particular através da revolucionária melhoria na área de telefonia.
Segundo o último número da revista ‘‘Veja’’, as melhoras serão as seguintes: ‘‘1) Até o ano 2001, os consórcios vencedores do leilão de privatização terão de aumentar o número de linhas dos atuais 17 milhões de terminais fixos para 33 milhões. 2) Em 2001, estima-se que haverá 22 telefones fixos para cada 100 habitantes no Brasil. Em 2007, a proporção será de 30 por 100, quase o padrão europeu. 3) A previsão é de que, em 2007, uma linha será entregue por uma taxa mínima, e haverá oferta suficiente. 4) Daqui a quatro semanas as empresas privadas serão obrigadas a instalar a linha em quatro semanas. Em 2005, o prazo cai para uma semana. 5) Até o final de 2001 estima-se que essa fila não deverá mais existir. 6) Daqui a quatro anos, nove brasileiros em cada grupo de 100 deverão ser donos de um celular, e até 2007, dezesseis em cada 100. 7) Até 2001, a estimativa é de que esse serviço não será mais cobrado como acontece nos Estados Unidos’’.
Outra consequência extremamente auspiciosa advinda da privatização da Telebrás reside na criação de empregos. Estima-se oficialmente a criação de 100 mil empregos imediatamente e 1,5 milhão nos próximos dez anos.
Portanto, chegou ao fim o modelo estatal de telefonia com seus serviços de péssima qualidade, filas monumentais, ágios escorchantes, mercado paralelo e sistema desigual de distribuição de telefones por faixa de renda. Sobre este último aspecto os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontam para a seguinte realidade: ‘‘Os 16% mais ricos possuem 81% dos telefones residenciais; os 57% mais pobres têm 2% de linhas; a classe A tem, em média, 2 linhas por família; a classe D, 1 linha a cada 100 famílias’’. Já com a privatização da Telebrás, os mais pobres, sem dúvida alguma, além de iogurte, frango e dentadura, vão também poder ter telefones, contrariando aqueles que dizem que só o Estado é capaz de proteger os interesses da maioria da população.
Com isso não se quer dizer que o Estado deixará de cumprir seu papel. Sua ação continuará não como operador mas como regulador, assegurando através da Anatel a aplicação de Lei Geral de Telecomunicações. E essa vitória do progresso sobre o atraso traz a esperança de que uma nova era está para começar no Brasil. Uma era baseada na livre empresa, no fim dos monopólios públicos e privados, na abertura para os mercados internacionais. Uma era de prosperidade para todos.
- MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA é socióloga

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