No início do ano, montanha de carnês sufoca o contribuinte
Quando os carnês de impostos chegam à casa da aposentada Tisuko Machado, de Apucarana, ela se apressa em quitar o débito à vista para aproveitar o desconto e ficar em dia com a Receita. Ao fazer compras, pede nota fiscal para ter certeza que o comerciante está recolhendo os tributos referentes ao bem adquirido. E quando não recebe as faturas dos impostos na data prevista, procura os órgãos emissores para solucionar o problema e cumprir rapidamente suas obrigações.
Viúva, mãe de dois filhos, ela sintetiza o perfil do contribuinte perfeito. Apesar do esforço, não considera que seu dinheiro esteja sendo bem investido pelo poder público. Durante a vida, pagou quase todos os anos de estudo dos filhos e contratou um plano de saúde para garantir atendimento eficiente em caso de doença. ''Meu sonho é comprar um apartamento. Se tivesse guardado todo esse dinheiro, acho que teria conseguido'', reflete.
Situação diversa vive o artesão Santo Ujolino Marin, que vende bijouterias no centro de Londrina. Morador de rua, ele se orgulha por não despender qualquer quantia para o pagamento de tributos. ''Nem sei como é cobrado, nunca trabalhei para ninguém'', diz.
Uma reflexão mais profunda, no entanto, o leva a concluir que contribui sem querer. ''Quando compro qualquer coisa, estou pagando imposto, né? Mesmo quem não quer é obrigado a pagar.'' Ciente da sua contribuição, ele enumera uma lista de reivindicações a serem bancadas pelo seu dinheiro. ''Em primeiro lugar, a prefeitura deveria regularizar a situação dos artesãos que ficam aqui na praça (Marechal Floriano Peixoto)'', pede. Outra reclamação diz respeito ao serviço público de saúde. ''Já precisei e foi péssimo. Acabei ajudado por uma igreja evangélica'', conta.





