No futebol, pouca ou nenhuma evolução
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segunda-feira, 04 de março de 2019
Na edição desta segunda-feira (4), a FOLHA noticiou o início do processo de eleição na FPF (Federação Paranaense de Futebol). Uma comissão eleitoral foi nomeada, e a ela caberá estipular as regras do pleito, a ser realizado ainda em março, para escolher o mandatário até 2023 do órgão que cuida localmente das competições profissionais e das amadoras mais importantes do esporte mais adorado pelos brasileiros.
Por enquanto, declaram-se pré-candidatos o atual presidente Hélio Cury e o empresário londrinense Gilberto Ponce. Cury, que assumiu o comando da FPF provisoriamente em 2007, após decisão judicial que afastou Onaireves Rolim de Moura, venceu a eleição de 2008, teve o mandato prorrogado até 2015 após pedido da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e naquele ano venceu uma virulenta disputa com Ricardo Gomyde, apoiado pelos times de Curitiba.
Se vencer a eleição deste mês, terá completado 15 anos no cargo ao fim do mandato - nada mal para quem se elegeu com um discurso de renovação, após substituir um presidente que ficou 22 anos na FPF. Cury lembrou à FOLHA que está dentro da lei a sua intenção de buscar mais um mandato, já que a lei do Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), assinada pela então presidente Dilma Rousseff em 2015, limita os mandatos em federações a quatro anos, com apenas uma reeleição. Como o atual mandatário venceu o último pleito justamente no ano da publicação da lei, tem direito a tentar outra vitória.
Cury tem dois pontos a seu favor: em outras federações, há situações mais extremas, como a de Zeca Xaud, que, reeleito em janeiro, em 2019 vai completar 45 anos à frente da entidade de Roraima; e, embora a gestão do paranaense tenha sido maculada por uma denúncia de conflito de interesse em 2015, quando troféus de um torneio amador foram comprados na sua loja (ele nega qualquer irregularidade), nada se compara aos escândalos que custaram a Onaireves Moura o fim do seu reinado.
Mas, infelizmente, o momento do futebol paranaense prova que a modalidade pouco ou nada evoluiu na gestão Cury. O Campeonato Estadual está tão pouco valorizado que Londrina e Athletico estão disputando com seus times B, os direitos de transmissão são muito inferiores aos de outros campeonatos e a maioria dos times do interior segue sem calendário na maior parte do ano. Coritiba e Paraná Clube vivem situação difícil dentro e fora de campo. Athletico, Londrina e Operário, que se destacaram nos últimos anos, o fizeram por contra própria, sem ajuda da federação. Brigas da entidade com seus afiliados, como o ridículo Atletiba em que os times se retiraram do gramado em 2017, são comuns.
A FPF segue o padrão nacional: temos (ainda) um papel importante no futebol mundial por nossos jogadores e técnicos, não pelos gestores do esporte. Três dos últimos ex-presidentes da CBF tiveram seus nomes envolvidos em denúncias globais de corrupção. Fora de campo, o futebol brasileiro é perna de pau.



