O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, enfatiza que a adesão do Brasil à Alca deve ser condicionada à eliminação dos subsídios agrícolas. E lembra que o País, que prevê produzir 58 milhões de toneladas de soja na atual safra, ante as 53 milhões de toneladas anteriores, tem todas as possibilidades de se tornar o maior produtor agrícola do mundo devido ao tamanho de sua fronteira agrícola. Os EUA, no entanto, não dispõem mais de área para expandir a agricultura.
Carlos Augusto Albuquerque, assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), disse que a eliminação dos subsídios deve ser um ponto importante nas negociações da Alca. ''O caso da soja é sintomático, pois somos concorrentes diretos dos norte-americanos, que subsidiam esta cultura e não querem resolver esta questão'', reclamou. E sustenta que o Brasil tem de discutir com muita cautela a adesão ao novo mercado. ''Precisa ser firme, mas não pode chutar a canela de todo o mundo. O governo tem de exigir trânsito para nossa produção agrícola e o fim dos subsídios para as principais culturas. Se não houver acordo, então, teremos de discutir por blocos e fazer a Alca aos poucos.''
O sub-secretário dos Serviços Agrícolas Estrangeiros do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), J.B. Penn, reconhece que a discussão sobre os subsídios agrícolas tem sido o foco das atenções nos últimos anos. Mas afirmou que não são os Estados Unidos os únicos a manterem este sistema. Segundo ele, o Japão destina US$ 85 bilhões anuais em subsídios à agricultura, enquanto a União Européia (UE) reserva US$ 67 bilhões aos agricultores. Para a soja, os EUA haviam previsto US$ 19,1 bilhões. Mas como o mercado da commodity esteve em alta, foram destinados US$ 12 bilhões aos produtores para cobrir a diferença entre o preço de garantia e o recebido pela produção.
Penn, mesmo sem saber precisar o valor total dos subsídios norte-americanos, e reconhecendo que o sistema, neste caso, distorce o mercado, disse que a prática para ''evitar'' o prejuízo dos agricultores não viola os acordos da Organização Mundial do Comércio. ''Mas estamos prontos para reduzí-los, desde que Japão e União Européia também cortem os subsídios.''S.O.

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