Maria Cláudia da Costa, 21 anos, estudante do último ano de relações públicas na UEL, vive, desde meados de setembro, uma situação frustrante. A greve surpreendeu-a na reta final de elaboração dos trabalhos de conclusão do curso. O prolongamento da crise e a consequente indefinição sobre a situação dos formandos impediram-na de realizar alguns sonhos. ‘‘É como uma reprovação’’, comenta.
Fora a pós-graduação, que pensava iniciar em outra faculdade e do curso de jornalismo, que pretendia fazer na UEL, a principal frustação de Maria Cláudia, por conta da indefinição de sua situação universitária, ocorreu no trabalho. Estagiária de RP há dois anos, numa empresa de serviços de Londrina, teria assegurada a efetivação para um cargo de coordenação, bastando, para isso, ter concluído oficialmente o terceiro grau. Como isso não ocorreu, ela acabou sendo efetivada em um cargo de nível abaixo e de salário 30% menor.
Não que ela e seus colegas não tivessem tentado recuperar o tempo perdido, solicitando aos professores, por intermédio da Coordenadoria de Ensino, Pesquisa e Extensão da UEL, a formação de uma banca, para avaliar os trabalhos de conclusão de curso, última etapa para a conquista do tão almejado diploma. Os professores, contudo, negaram-se a atendê-los.
A essa altura, Maria Cláudia perguntou-se se valeria a pena entrar com um processo na Justiça, para assegurar o seu direito de concluir o curso. Acabou desistindo da ação, tanto pelo desgaste que isso lhe traria, quanto pelo receio de uma possível animosidade, por parte dos professores, quando as aulas fossem reiniciadas.
‘‘Dizem que quando se sai da faculdade não se deve parar de estudar. É importante se manter sempre atualizada e disponível para novos conhecimentos’’, diz. O fato, contudo, é que Maria Cláudia está parada e isso não tem nada a ver com a sua vontade e muito menos com seus sonhos, adiados por tempo indefinido.

mockup