O alar­de go­ver­na­men­tal so­bre au­to­su­fi­ciên­cia (ou qua­se) em ex­tra­ção e re­fi­no de pe­tró­leo, a bai­xa da co­ta­ção no bar­ril do ­óleo no mer­ca­do mun­dial (em fa­ce da cri­se) e o van­guar­dis­mo bra­si­lei­ro em pro­du­ção de bio­com­bus­tí­veis não bas­ta­ram pa­ra ba­ra­tear a ga­so­li­na no Bra­sil. Que pa­ga por ela o pre­ço ­mais al­to do mun­do, al­go em tor­no de 50% a ­mais. Quan­to ao die­sel, o pre­ço é 40% su­pe­rior ao que ou­tros paí­ses pa­gam pa­ra abas­te­cer ­seus ca­mi­nhões, ôni­bus, ­trens, má­qui­nas agrí­co­las e ou­tros veí­cu­los pe­sa­dos.
  As­sim, no ca­so do die­sel, mer­ca­do­rias e pas­sa­gei­ros do trans­por­te co­le­ti­vo são one­ra­dos com aque­le por­cen­tual, e o po­vo pa­ga a con­ta. Es­ta con­ta­bi­li­da­de en­tra no cus­to Bra­sil e no cus­to de vi­da de ca­da ci­da­dão. Se há es­cas­sez de al­gum pro­du­to, o pre­ço so­be por es­sa ra­zão, mas se ou­tro exis­te com su­fi­ciên­cia o cus­to não bai­xa pa­ra o con­su­mi­dor, por­que o Go­ver­no sem­pre tem uma des­cul­pa pa­ra is­so.
  Não há pers­pec­ti­va de que a Pe­tro­bras vá pro­mo­ver al­gu­ma re­du­ção, pe­lo ar­gu­men­to de que ‘‘a em­pre­sa ain­da não re­cu­pe­rou per­das por ter man­ti­do os pre­ços em tem­po de pe­tró­leo ­caro’’. E ­mais: que é pre­ci­so ge­rar cai­xa pa­ra sus­ten­tar ­seus pla­nos de in­ves­ti­men­to. O Bra­sil é o úni­co ­país que não bai­xou ju­ros e nem o pre­ço dos com­bus­tí­veis de­pois que ir­rom­peu a cri­se de se­tem­bro. As de­mais na­ções tam­bém li­dam com moe­da e bai­xa­ram ­seus ní­veis de ju­ro, e as res­pec­ti­vas re­fi­na­rias de pe­tró­leo têm igual­men­te ­seus pro­gra­mas de in­ves­ti­men­to, no en­tan­to ope­ram com pre­ços ao con­su­mi­dor mui­to ­mais bai­xos que no Bra­sil. As­sim, cai a con­fia­bi­li­da­de dos re­la­tos e ar­gu­men­tos de ins­ti­tui­ções ofi­ciais e de em­pre­sas es­ta­tais bra­si­lei­ras. Os com­bus­tí­veis au­to­mo­to­res são ­ítens de gran­de pe­so no ín­di­ce ge­ral de pre­ços, des­ta­ca­da­men­te pa­ra os trans­por­ta­do­res de mer­ca­do­rias, pa­ra a in­dús­tria e pa­ra a agri­cul­tu­ra, mas dian­te de tan­tas ale­ga­ções da po­de­ro­sa com­pa­nhia pe­tro­lí­fe­ra pa­re­ce que só no Bra­sil não é pos­sí­vel ba­ra­tear pre­ços.
  O Ban­co do Bra­sil In­ves­ti­men­tos, or­ga­nis­mo ofi­cial, afir­ma que a Pe­tro­bras ain­da te­ria R$ 1,5 bi­lhão a re­cu­pe­rar, por per­das. Mas nin­guém acre­di­ta que, li­qui­da­da es­sa fa­tu­ra, o cus­to dos com­bus­tí­veis ve­nha a ­cair. Es­tas ma­te­má­ti­cas são de di­fí­cil en­ten­di­men­to pe­lo po­vo, por não ­crer que ha­ja trans­pa­rên­cia nas in­for­ma­ções ofi­ciais. Pe­la sim­ples ra­zão de que bai­xas re­la­cio­na­das com coi­sas do go­ver­no são ra­rís­si­mas.

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