No amor, apenas uma alternativa
A maior utilização da Internet nesses 10 anos de convivência tem sido o bate-papo, a troca de e-mails, a possibilidade de fazer amigos à distância e de conhecer pessoas. Nesse sentido, a Internet vem se revelando um autêntico cupido eletrônico, capaz de unir corações antes mesmo que os enamorados se conheçam pessoalmente.
Para Ailton Amélio, professor de psicologia da USP, especialista em relacionamentos amorosos, ''um dos maiores méritos da Internet é ter se tornado um ponto aglutinador, tanto para homens e mulheres acima dos 35 anos, que ainda não se casaram ou estão separados, quanto para os tímidos, de qualquer idade, que sentem dificuldade para fazer o primeiro contato''.
Quando não há mentiras no circuito, como esclarece Ailton, ''o meio Internet permite que ótimos conteúdos pessoais se sobreponham à questão da aparência e que, depois de muito bate-papo, um sinta-se realmente cativado pela essência, pela alma do outro''. Contudo, a tecnologia não evita os perigos. Por isso, o psicoterapeuta aconselha a quem vai se encontrar pela primeira vez com alguém que conheceu via Internet, que ''prefira locais públicos e fixe um horário para começar e terminar o encontro; não aceite e nem dê carona, até ter segurança para isso e, antes, enquanto rolar o bate-papo via Internet, não dê informações sobre seu salário, patrimônio, endereço, horários etc., e desconfie quando o outro não fornecer o telefone de casa ou do trabalho, restringindo-se ao celular''.
Contudo, Ailton considera que a Internet ainda é muito pouco representativa entre os meios disponíveis para se conhecer alguém. Em seu mais recente livro, ''O Mapa do Amor'', publicado pela Editora Gente, o professor detalha quais são os caminhos que levam aos encontros. Na média, em 37% do casos, segundo afirma, a descoberta do parceiro amoroso acontece nos locais de convivência cotidiana, como no trabalho, por exemplo. Outros 32% dos encontros dependem da apresentação de um amigo comum e, por isso, a importância de se ter um bom e amplo círculo de relações. Cerca de 20% dos namoros ocorrem a partir de um contato em barzinhos, danceterias etc., chamados por Ailton de ''paqueródromos''. Outros 5% devem-se simplesmente ao acaso e apenas 1% resulta de serviços disponíveis, como agências de casamento, anúncios em jornal e Internet.





