Quem disser que sabe o que irá acontecer doravante, face à crítica situação política ora vivida no Brasil, certamente está desinformado, porque ninguém tem o controle dos acontecimentos os em andamento e os que estão por vir. Brasília vai fazendo água, e a permanência do presidente Lula no poder balança. Uma declaração de impedimento do chefe do Governo teria, primeiro, de ser proposta ao Congresso e depois discutida a aprovada. Mas chovem pedidos de cassação de deputados envolvidos nas denúncias de corrupção, significando que a Câmara Federal também está sob julgamento. Só uma forte pressão popular poderia resultar nessa deliberação extrema. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) é no momento o único parlamentar com livre trânsito em todos os partidos e capaz de articular uma operação para evitar a cassação de Lula, e é o que ele começa a fazer. Mas a tarefa é delicada, porque há líderes e partidos envolvidos nos escândalos da corrupção e bancadas sem comando. Ninguém sabe por onde começar, e pasme-se o ministro Antonio Palocci, homem forte do Governo, e o ministro da Justiça, Thomaz Bastos, foram pedir aconselhamentos ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o que nunca se imaginava que pudesse acontecer. Os petistas estão recolhidos e temerosos de falar, porque perderam moral perante si mesmos e perante o povo. Muitos deles estão deixando o partido, como os ratos que abandonam o navio quando prestes a afundar. Calheiros comanda um esquema de salvação institucional, de forma a evitar uma crise política ainda maior, quando falta apenas um ano para o início da movimentação com vistas às eleições. Lula é candidato à reeleição e já faz comícios, mesmo em meio a tanta turbulência. Perder o mandato, por via de um impeachment, seria o desastre e um abalo em sua carreira política. O próprio Partido dos Trabalhadores poderia marchar rumo ao aniquilamento. ''Não podemos permitir que nosso projeto seja interrompido'', proclamou o presidente Lula na reunião ministerial da última sexta-feira. O projeto, como já deu para perceber, não é nenhum programa de governo que contemple o desenvolvimento e sim o da continuidade no poder. O restabelecimento da normalidade parece interessá-lo apenas por isso, e também não é outro o enfoque dos parlamentares e candidatos potenciais à Presidência da República, aos governos estaduais e à reeleição parlamentar, que não desejam tumultuar o processo e gerar uma instabilidde tal que coloque em risco o regime democrático, levando o povo a comportamentos imprevisíveis. Não faltam temores de que Lula, mesmo desgastado, saia às ruas e cause muita agitação se deposto, e gere mais estragos do que os que causa investido do poder. Isto é o de que menos a nação precisa.

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