É como a refilmagem de um clássico do cinema. Os críticos sempre torcem o nariz mas a nova produção sempre ganha rios de dinheiro. E isso é o que importa. Não interessa se o original foi deturpado, o enredo mudou, os intérpretes não têm a mesma qualidade daqueles da primeira versão. Os benefícios é que contam.
Na refilmagem, que já está sendo produzida em Brasília, os advogados sérios de antigamente agora estão no mesmo barco - o governo. E só brigam para manter e ampliar seus espaços. O PSDB é filhote do PMDB, que, por sua vez, nasceu das entranhas do MDB. O PFL teve origem no PDS, originário da Arena.
Durante a maior parte da ditadura militar, Arena e MDB eram os únicos partidos com existência legal. Um defendia o regime e o outro fazia a chamada oposição consentida. Com o fim do regime militar a Arena mudou de nome, passando a se chamar PDS. Em seguida, se dividiu dando lugar aos atuais PPB e PFL, que apareceu em 85 com o surgimento da Frente Liberal para eleger a chapa Tancredo/Sarney. O MDB já tinha virado PMDB, perdeu parte de seus quadros para o PT, mas permaneceu unido até o governo de Orestes Quércia em São Paulo. Por causa da incompatibilidade com o quercismo, setores que se diziam progressistas fundaram o PSDB.
Netos rebeldes da Arena e do MDB, PFL e PSDB se juntaram em 94 para eleger Fernando Henrique. Agora, quando todos estão se preparando para a reeleição do presidente os dois partidos começam a disputar quem poderá fazer o maior número de deputados e senadores no Congresso. Fato importante porque é dessa maioria que sai os presidentes da Câmara e do Senado.
O problema é que nenhum dos dois partidos têm certeza de fazer maioria e então atraíram o PPB e o PMDB para engrossarem suas alas, formando uma grande família dentro do governo. Eles brigam mas todos estão juntos.
Os tucanos se sentem prejudicados, pelo o que eles chamam de voracidade dos pefelistas, e buscam uma aliança com os peemedebistas para aumentar o cacife no próximo governo. Os pefelistas se aliam aos pepebistas de Paulo Maluf para ampliar seus poderes na divisão do bolo.
É interessante ver forças antagônicas agora unidas. Sempre dá uma idéia de que as diferenças foram superadas, que algum objetivo comum juntou toda essa gente para trazer benefícios à nação. Mas não é nada disso. Ninguém está interessado em discutir princípios, mas apenas disputar cada pedaço mais lucrativo da máquina administrativa.
Antônio Carlos Magalhães, que já disse o diabo de Paulo Maluf, agora quer estar ao lado dele. E o PSDB, que já exerceu o PMDB, oferece uma parte do latifúndio do poder ao velho partido que acusava de fisiológico e pouco comprometido com a ética política.
Agora estão todos juntos. Revivem a Arena e o MDB. Só que no original havia drama, resistência, cassações. Na refilmagem de hoje o clima é de farsa, de
pastelão italiano de quinta.

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