NERVOS À FLOR DA PELE - Quando a ansiedade torna-se doença
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Ao pé-da-letra, a primeira definição para a ansiedade é que ela é um sentimento. A literatura específica a define como um estado emocional com a qualidade do medo, dirigido para o futuro, desagradável. Configurada como um dos grandes problemas do novo século, a ansiedade - que, segundo estimativas, acomete 23% da população brasileira - pode se transformar em doença. É o que enfatiza a psicóloga Karen Camargo, de São Paulo.
Nesta entrevista, Karen, que atua na área clínica, define o perfil do ansioso e faz o alerta: quando a ansiedade afeta o cotidiano da pessoa, é hora de procurar ajuda.
''Geralmente a pessoa ansiosa é bastante preocupada, muitas vezes tentando antecipar alguma ação por receio de que algo ruim no futuro aconteça. Por isso, são pessoas que costumam ser controladoras e que estão sempre sob alerta'', define.
A ansiedade está mais para doença ou sentimento?
A ansiedade é um sentimento. Todos nós sentimos ansiedade em maior ou menor grau. Foi ela que salvou nossos antepassados dos perigos e por isso estamos aqui hoje, como produto da seleção natural. A definição sobre ansiedade aponta este conceito como um estado emocional com a qualidade de medo, desagradável, voltado para o futuro. Nesse sentido, podemos pensar que os ansiosos são muito preocupados, estão sempre pensando sobre o futuro, pouco se concentram no presente. Ela pode sim virar doença quando passa a comprometer o cotidiano da pessoa, contribuindo negativamente para a sua qualidade de vida.
No Brasil, estima-se que 23% da população desenvolva algum tipo de distúrbio ansioso ao longo da vida. Há uma explicação?
Os transtornos de ansiedade sempre existiram. No entanto, percebemos que a modernidade favorece o desenvolvimento da ansiedade, pois estamos cada vez mais preocupados em ter um status social favorável, nos preocupamos com a crise atual, com a possibilidade de não conseguirmos pagar nossas contas no final do mês. Entre outras preocupações estão a violência, ataques terroristas, desemprego etc. Todos esses fatores favorecem o desenvolvimento da ansiedade, uma vez que ficamos apreensivos com o que pode vir a acontecer.
Quais as características que definem o ansioso, quando soa o alerta?
Geralmente a pessoa ansiosa é bastante preocupada, muitas vezes tentando antecipar alguma ação por receio de que algo ruim no futuro aconteça. Por isso, são pessoas que costumam ser controladoras e que estão sempre sob alerta, pois temem que algo ruim poderá acontecer a elas em breve.
Homens ou mulheres sofrem mais e ficam ''à beira de um ataque de nervos''? Por quê?
Tanto homens quanto mulheres sofrem com o excesso de ansiedade. As mulheres, no entanto, podem ter esse quadro agravado principalmente por conta das mudanças hormonais que sofrem ao longo do mês. Junta-se a isso a tripla jornada feminina (trabalho, casa e família), que acaba se tornando grande fonte de preocupação para elas, uma vez que é difícil dar conta de tudo.
A ansiedade sinaliza perigo iminente?
A ansiedade poderia ser entendida como sendo uma resposta que o nosso corpo emite para nos avisar de um possível perigo. No entanto, a resposta de ansiedade é muitas vezes condicionada, ou seja, nem sempre um perigo real está para acontecer, mas ela assim sente, pois viveu tal situação no passado. Um exemplo: uma pessoa que foi assaltada no farol certamente ficará ansiosa sempre que parar naquele ou em outros faróis. Isso não quer dizer que ela será assaltada novamente, mas que, por conta daquela experiência, passou a ter medo. Assim, ela sente sintomas de ansiedade (palpitação, taquicardia, tremores, boca seca, sensação de falta de ar, tontura, calafrios etc.) ao se aproximar do farol.
Uma vez diagnosticado, qual o tratamento? E quais são as manifestações?
Os transtornos de ansiedade compreendem a síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de ansiedade generalizada, fobia social, estresse pós-traumático e as fobias específicas. O tratamento dos transtornos de ansiedade requer psicoterapia e medicação.


