NEPOTISMO EM MARINGÁ - Vereador diz ser perseguido
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segunda-feira, 26 de março de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
O presidente da Câmara de Vereadores de Maringá, John Alves Correa, responde à FOLHA sobre nepotismo e a compra supostamente irregular de laptops. Dia 23 de março, nove vereadores foram condenados a demitir os parentes e devolver à Câmara os salários pagos a eles. ''Você conhece algum lugar no Brasil que condenou alguém a demitir parente ou devolver dinheiro? Maringá é o primeiro caso. O Ministério Público (MP), embora não exista nenhuma legislação que proíba, insiste em mandar demitir. É um negócio impressionante. É abuso de uma pretensa autoridade deles, que, na realidade, não existe.''
Que providências vai tomar em relação à decisão judicial?
Desconheço lei municipal, estadual ou federal que proíba a contratação de parentes. Então, tem que ver baseado em qual lei o juiz chegou à essa conclusão. Vamos recorrer da decisão. Não acredito que isso possa perdurar.
Pode até ser uma situação legal, mas é moral?
Não gosto de discutir isso porque, do ponto de vista de quem está fora, pode ser uma situação delicada. Por exemplo, tenho um irmão que é diretor legislativo da Câmara. O contratei por dois fatores: primeiro, a competência, e segundo porque ele é da minha extrema confiança. O próprio nome já diz: cargo de confiança.
As contratações de parentes dos vereadores passam pelo senhor?
O vereador tem a verba de gabinete e, dentro desse valor, pode contratar. Mas é claro que as contratações e nomeações são feitas pelo presidente, com a indicação do vereador.
Os vereadores não precisam prestar contas à população?
Toda vez que sou indagado, me defendo. Faço esse tipo de prestação que você está falando aí. Acredito que cada vereador deve fazer a sua.
Como ficou o processo civil e criminal movido contra o senhor pela compra dos laptops para a Câmara?
Houve uma decisão da justiça criminal, nos condenando. Nós recorremos. A ação civil ainda está tramitando.
Qual a defesa do senhor para essa compra considerada irregular (equipamentos defasados, preço superfaturado)?
Essa é uma questão política contra a pessoa do presidente. O equipamento não era defasado quando compramos. Só para se ter uma idéia de como a questão é política, a primeira denúncia foi de que tínhamos feito uma licitação, passado a mão na grana e não havíamos comprado computador nenhum. O promotor viu o equipamento e caiu essa tese. A segunda foi o superfaturamento, mas levantamento de preços feito pelo promotor descaracterizou isso também.
Mas o senhor foi condenado na vara criminal...
A condenação foi por falha no processo de licitação. Segundo a Justiça, o pagamento foi feito antes do recebimento dos equipamentos e a lei não permite. Não fui condenado por superfaturamento. É uma questão política por parte daqueles que denunciaram.
O senhor credita isso aos seus adversários?
Não só. Esse desejo do MP de aparecer. A autoridade exacerbada que se dá a eles. O promotor liga para o jornal, fala uma besteira e o que ele falou é lei, os caras escrevem. É complicado. No caso do nepotismo, fiquei sabendo da sentença pela mídia. Qual é o interesse do MP? É fazer com que a gente devolva o dinheiro para os cofres públicos? Não, é de aparecer realmente.
O senhor pensa em deixar a presidência ou não se sente constrangido com a situação?
Constrangimento há. Sou normal, sinto emoções. Essa situação deixa a gente um pouco desanimado. Mas, de qualquer maneira, esse é meu último mandato como vereador. Acredito que fiz o que tinha que fazer na Câmara, aprendi muito com isso aqui. Vou tentar outra coisa.
O senhor pretende abandonar a política...
A política não, está no meu sangue.


