NEPOTISMO - Estado dá emprego a pelo menos 6 mil parentes de políticos
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Se cada uma das 399 Câmaras Municipais do Paraná tiver cinco parentes de vereadores - e algumas têm muito mais -, só nos legislativos municipais o nepotismo soma 2 mil pessoas. Se a mesma conta for aplicada nas prefeituras, chega-se a 4 mil parentes empregados nos municípios. Acrescentem-se os parentes lotados no governo estadual, no Tribunal de Contas, Assembléia Legislativa, autarquias e empresas estatais, e o nepotismo no Paraná alcança em torno de 6 mil. A estimativa é do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que promete reapresentar proposta de emenda à Constituição Estadual para proibir o nepotismo no Paraná.
Quando será reapresentado o projeto?
Assim que tivermos as asssinaturas de 18 deputados, porque se trata de uma emenda à Constituição do Estado. Acho que vai ser possível logo no início da legislatura. Esse compromisso eu assumi quando a emenda foi rejeitada no ano passado por apenas quatro votos.
Há apoio necessário para aprovar a emenda?
Acredito que sim. Todos os partidos compreendem essa questão, inclusive os integrantes da base do governo. O que a Assembléia do Paraná está fazendo nesse momento é cumprir o papel que já foi feito pelas Assembléias do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso, e está sendo feito pelas Assembléias de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Em Santa Catarina, o próprio governador proibiu o nepotismo por decreto.
Por que proibir o nepotismo?
A constituição prevê que sejam respeitados os preceitos da impessoalidade e moralidade para a contratação de servidor público. Para mim, bastaria isso para que não tivéssemos irmãos, irmãs, maridos, pais, esposas, primos, sobrinhos, mães, filhos, contratados pelo Estado. Que impessoalidade pode haver entre pai e filho? Essas desculpas são feitas por quem olha o espaço público como um provedor para que seja aumentado o patrimônio pessoal. É um deboche.
Em 2006, o governador e o secretário de Educação atuaram pela rejeição da emenda. A polêmica deve se repetir este ano?
Não sei, mas encaro como uma situação normal. A partir do momento em que o projeto tem mais de 30 assinaturas, ele não é de um deputado apenas. Seria uma estupidez alguém achar que o projeto é seu.
O governador também alegou que o projeto de emenda permitia o nepotismo cruzado...
Na verdade, quando você não quer enxergar uma coisa, primeiro você desqualifica. Falo isso porque quando entramos nessa discussão, tiramos o foco do principal, que é impedir a contratação para o serviço público segundo o grau de parentesco, para fazer um debate falso. O Paraná tem 200 mil servidores públicos. É impossível controlar diariamente se determinado deputado tem parente numa prefeitura do interior do Estado. Precisamos de um debate objetivo.
O senhor já conversou com o governador Requião sobre nepotismo?
Não. Acho que esse não é um tema para ser discutido individualmente com ninguém. A partir do momento em que o debate é particularizado, ele vira um debate de cozinha. E eu não quero fazer um debate de cozinha, quero fazer um debate público.


