Nenhum candidato que empolgue a nação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia proclamar publicamente que é candidato à reeleição, como de fato é e demonstra, sem necessidade de mentir ao povo dizendo que só irá decidir isso na época da convenção partidária. Até lá eu vou viajar pelo Brasil, ele declara, como fez sexta-feira ao visitar assentamentos rurais. Se em três anos Lula não realizou viagens internas com tanta intensidade, preferindo visitar países pobres do mundo e semear ilusões por lá não bastassem as que semeou por aqui as suas andanças agora, pelo território nacional, são pura campanha política. A legislação lhe permite concorrer, não havendo razão para ele ocultar seu propósito de continuar no cargo. Dessa forma, começa por uma tática de enganação, o que caracteriza desrespeito. É uma falsidade, que só faz reforçar o desencanto das pessoas com os políticos. Não há porque Lula esconder que é disputante, até porque a opinião pública o conhece bem e sabe de sua ambição pelo poder. O ano é eleitoral, e o que deveria ser saudado como um acontecimento cívico de relevância e uma festa da democracia, é encarado pelo povo como algo muito incômodo que vem pela frente, porque o vozerio da campanha começará a entrar nos lares, por via do indigesto horário político no rádio e na televisão. No caso do candidato já declarado, imagina-se que ele fará a exaltação de seu governo e vá repetir a cantilena conhecida dos governantes de que, sozinho, fez mais que todos os governos anteriores. Como ele disse com relação à reforma agrária, em sua visita aos assentamentos. Lula talvez volte a dizer que espera das oposições um pedido de desculpas a ele, pelas críticas que lhe têm sido feitas. Barbaridades como esta e outras mais, do gênero, certamente se ouvirá da boca do Presidente-candidato nos oito meses que antecedem outubro. Com toda a certeza não há processo melhor de escolha dos governantes que o voto popular e para tal será preciso conhecer e ouvir os candidatos mas todos os que estão se apresentando como potenciais concorrentes, a nação já conhece. O aceno, portanto, não é de nada novo. Nenhum nome que possa empolgar a nação. A perspectiva é de anos futuros de mesmice no círculo político-administrativo. Pela listagem, não será ainda desta vez que uma figura revolucionária tomará assento no trono presidencial. A nação brasileira, três anos atrás, imaginou que o sindicalista que estava elegendo seria esse governante exponencial, que viesse a promover uma transformação na história política brasileira. Não passou da célebre noite de esplendor e de esperança da Avenida Paulista.





